Uma cagada que deu certo (literalmente!)

Interessada no segmento de papel artesenal indiano e ecológico (eco-friendly handmade paper), acabei descobrindo um tipo de papel feito nada mais nada menos que cocô de elefante. ECA! Eu sei que essa deve ser a primeira coisa que passou pela cabeça de vocês. Pelo menos foi isso o que aconteceu comigo quando ouvi essa estória de papel reciclado de cocô de elefante (elephant poo paper) pela primeira vez.

Curiosa e querendo ver de perto esse papel, fui visitar o escritório comercial em Delhi. Fui atendida pela dona do projeto, uma indiana pra lá de interessante e com um senso de humor afinado. Bota humor nisso! Não é a toa que ela realmente conseguiu montar um negócio rentável trabalhando com produtos reciclados de papel de elefante: cadernos, agendas, sacolas álbuns de fotografia , cartões e muitas outras cositas mas. Tudo com um design muito bacana, diferente e acredite se quiser, os produtos são super bonitinhos! E o melhor de tudo é que não fedem a cocô não! Cá entre nós, a primeira coisa que fiz ao ver o caderno foi dar uma cheiradinha básica para ver o que acontencia mas me surpreendi porque o papel não tinha cheiro nenhum!!!

Mas afinal, porque papel de cocô de elefante? Na verdade este surgiu como uma alternativa mais do que ecológica para diminuir o impacto ambiental já que propõe uma opção de produzir papel sem a utilização do corte de árvores para a fabricação de papéis. Para se ter uma idéia, os elefantes digerem apenas 60% dos 130 a 270 quilos de comida que se alimentam diariamente.E como são 100% vegetarianos, eliminam cerca de 100 quilos de cocô rico em fibras vegetais. Pura celulose!

Após a conversa altamente proveitosa com a dona, me animei em conhecer o centro de produção em um vilarejo na cidade de Sanganer, bem perto de Jaipur e foi lá que a aventura realmente começou. Fui recebida na estação de trem pelo produtor e idealizador da idéia elefantesca.

Mal me apresentei para o fornecedor e já tive que me sentar na garupa da motocicleta dele. Eu, que já não sou lá muito fã de moto nem no Brasil (posso contar nos dedos as vezes que andei de moto na vida), me vi naquela situação, sentando na garupa de um indiano desconhecido que me levaria naquelas ruas sempre em péssimas condições, e sem quaisquer regras de trânsito, ou seja, adrenalina pura. Porque nenhuma visita a um potencial fornecedor na Índia pode fluir de uma maneira mais convencional?

Enfim, mais ou menos 40 minutos depois cheguei ao centro de produção, onde também situava-se a casa dele. Fui extremamente bem recebida pela família inteira que me tratou como hóspede de honra. Era uma casa muito simples e pequena. A casa basicamente era composta de dois quartos multifuncionais que ora funcionavam como cozinha, ora como quarto, ou até mesmo sala de jantar e escritório, dependendo da necessidade do momento. O banheiro turco (aqueles com buraco no chão) ficava fora da casa, em um cubículo de madeira no quintal. Apesar de muito simples, tudo era incrivelmente limpo.

O produtor, muito orgulhoso da sua idéia de elefante, me mostrou todas as matérias em revista que já haviam publicado a respeito do negócio criado por ele. O interessante foi saber que ninguém acreditava na idéia dele no início. A família o considerava louco de pedra e ele teve que batalhar muito e ainda batalha pra viver disso. Na Índia e creio que em nenhum outro lugar, nada é fácil para aqueles que não tiveram a sorte de nascer em uma família privilegiada. Depois de muito esforço e com o suporte financeiro e mercadológico de uma mulher de negócios em Delhi, o papel virou o meio de subsistência de toda a família e todos atualmente trabalham na produção. Realmente foi uma cagada que deu certo.

Durante o almoço tipicamente indiano, regado a dhal e chapati (haja chapati, me fizeram comer quase dez!!!), tive uma conversa super gostosa com a família. O produtor, com o seu inglês esforçado, serviu como o meio de campo, possibilitando a minha comunicação com a família. Respondi diversas perguntas a respeito do Brasil e a mãe ficou espantada quando respondi que no Brasil não se comia chapati (um tipo de pão indiano). Na cabeça deles, aquilo parecia inconcebível já que comem chapati em todas as refeições.

Me sentia empanturrada depois daquela refeição onde me alimentei quase tão bem quanto um elefante! Queria descansar um pouquinho mas o tempo era curto. Ainda tínhamos que sair de moto (de novo não!) em Jaipur, para que eu pudesse conhecer os locais onde a “matéria-prima” do papel era coletada. Conheci alguns dos elefantes e tirei algumas fotos pra documentar todo o processo. A maior parte da matéria-prima é coletada no caminho para o passeio de Amber Fort, onde os elefantes sobem e descem todos os dias. O cocô de elefante é então coletado, lavado, esterelizado e misturado a restos de pano (sobras da industria têxtil). O papel é então processado artesanalmente (composto de mais ou menos 70% cocô e 30% de restos de pano). O papel é então seco e cortado em folhas para enfim virarem itens variados de papelaria.

Depois do longo passeio voltei a casa do fornecedor para tomar um último chai com a família antes de partir para uma visita a outro fornecedor em uma cidade perto de Ajmer. Me perguntaram se eu me interessava por jóias. Disse que achava legal. De repente a mãe me aparece com uma caixa de madeira que continha um colar e dois braceletes de ouro. Fizeram questão de me ver usando aquelas jóias que na verdade seriam usadas no casamento arranjado do fornecedor, evento que acontecerá em 2010. Ok. Até aí tudo bem. Acontece que a mãe e a irmã se empolgaram tanto com a idéia de me transformar em uma noiva indiana que ainda resolveram colocar um bindi e um lenço na minha cabeça. E lá estava eu, me sentindo a própria boneca daquelas duas indianas que se divertiam ao me ver com um look indiano. Me senti a própria menina do vilarejo, pronta para o casamento arranjado! Tive que ficar usando aqueles acessórios por quase uma hora porque simplesmente eles não deixam eu tirar os apetrechos do meu corpo! Ah e pra fechar com chave de ouro eles convidaram boa parte do vilarejo pra me ver daquele jeito, rsrsr!

E a reunião de negócios se finalizou quando o fornecedor me disse: “Mariana, se eu não estivesse prometido para outra mulher, eu te pediria em casamento agora”. Indianos normalmente não conseguem separar as coisas. Você simplesmente tem que aprender a ter jogo de cintura pra sair dessas numa boa, sem encanação e ainda com um sorriso no rosto, afinal é assim que as coisas funcionam por aqui.

É lógico que aquela família linda, simples e mais do que hospitaleira não deixou que eu pagasse por nada durante todo o dia já que eu era uma hóspede de honra da casa. Saí daquela casa ainda com mais vontade de fazer negócios com eles.

Acho que esta estória de papel de elefante é uma alternativa pra lá de interessante e ecológica. É uma “cagada” (literalmente) com alto potencial de também dar certo no Brasil.

“Elephant Poo Paper…Made using only the finest dung available in India!”

E a vaca caminha tranquilamente na estação de trem…

Sentada em um banquinho frio na estação de trem, rodeada por odores, suor, gente (muita gente!!!), barulho (muito barulho!), cansada depois de uma viagem gostosa, intensa e desgastante perco meu olhar no horizonte e…

Eis que percebo a presença de um ser estranho ao local. Uma vaca caminhava tranquilamente na estação de trem de Ajmer. Na hora tirei minha camera fotográfica do bolso pra poder registrar o acontecimento. Quer dizer, pra mim aquilo era um acontecimento, mas todos as outras pessoas que passavam nem sequer reparavam que a vaca estava por lá. Parecia simplesmente normal. Será? Não sei não, continuo achando estranho ter visto aquela vaca passeando como quem não quer nada naquela estação.

Fiquei pensando comigo se ela iria tomar o trem comigo de volta para a Delhi ou se na verdade ela estava esperando uma amiga que chegaria no próximo trem! O segredo na Índia é dar asas a imaginação.

Sem mais. Agora é a vez da vaca entrar em cena. 1, 2, 3, gravando!

Vol 1 – Liçoes de sobrevivência no mundo de negócios na Índia

Estou de volta na área!
Para quem não acompanhou meu blog até agora provavelmente não sabe que passei 5 meses na Índia no começo do ano para realizar um projeto na empresa em que trabalhava. Depois voltei para o Chile por mais 5 meses e agora estou de volta à Índia por diferentes razões. Pedi demissão da empresa indiana que trabalhava no Chile para explorar caminhos empreendedores que envolvem a Índia e o Brasil é claro. Chegou a hora de aproveitar as crescentes oportunidades no meu país e fazer uma ponte com a íncrivel e ainda desconhecida Índia! Esse é o novo capítulo da minha estória por aqui. Estou passando um mês visitando fornecedores, comprando amostras e fazendo contatos por aqui. No meio disso tudo muito coisa acaba acontecendo, tropeços, aventuras, aprendizados que vou tentando anotar pra não esquecer.
Se caso você tenha interesse em fazer negócios na Índia, aqui vão algumas dicas que podem te ajudar. Se não te ajudar pelo menos garanto que atrapalhar não vai.

1- NO STRESS – Mantenha a paciência a qualquer custo, por mais difícil que isso possa parecer. Vale treinar meditaçao, Ioga ou qualquer método que alivie o stress.

2- NADA É OBVIO – Tenha em mente que nada (eu disse NADA) acontece de acordo com o planejado por mais que você realmente tenha planificado tudo bem bonitinho levando em conta todos os imprevistos que você pudesse imaginar. Simplesmente as coisas não são óbvias por aqui, e o que acontece de imprevisto vai além do que nós, pobres mortais (não-indianos) poderíamos conceber na nossa realidade.

3- A MALANDRAGEM INDIANA – Se você pensa que por ser brasileiro, você sabe de cor e salteado todas as malandragens do mundo, está mundo enganado. Acho que os indianos deveriam promover um curso de MBA da malandragem, impressionante. Os brasileiros ficam no chileno se comparados aos irmãos do subcontinente indiano. Eles são malandros pra tudo, pra negociar, pra fazer coisas de qualquer jeito e sair de fininho, pra dar as desculpas mais esfarrapadas da face da terra e por aí vai.

4- DESAFIANDO AS LEIS DA FÍSICA – Nunca calcule o tempo de chegada a uma reunião a partir da distância do ponto de ida ao de chegada. Isso por que distância não significa NADA na Índia. Vou dar um exemplo pra esclarecer melhor onde quero chegar. Se você está a 20kms do local da reunião, voce poderia pensar que indo de carro a 60kms por hora, você chegaria em cerca de 20min, contando com um engarrafamento por aqui e por ali, você calcularia que chegaria em 40-60 min max, certo? Nãoooo, em alguns casos você pode demorar cerca de 6 horas pra percorrer uma distância de 20kms ( já aconteceu comigo). As causas para esse distúrbio são inúmeras: pode ser o horário do rush, uma procissão, uma vaca que foi atropelada, uma moto com 1 tonelada nas costas desequilibra na rodovia, pode ser um casamento, enfim por aí vai. Só falo uma coisa, se você acha o trânsito de SP ruim, você ainda não viu nada. Tá ruim pra você? Eu te garanto que pode ficar bem pior…

5- EVITANDO ATRASOS – Tendo isso em mente, sempre busque agendar reuniões em horários bem espaçados e evite marcar reuniões com um horário 100% definido. Sempre deixe uma margem de +/- 2 horas. Se você pretende chegar em algum lugar às 11 horas da manhã, por exemplo, diga que você chegará entre 9am-13am. Porque na verdade quando você estiver por aqui vai perceber que só um milagre fará com que você consiga chegar no horário planejado.

6- PESSIMISMO COMO MÉTODO DE PREVENÇÃO – Esta próxima dica é altamente relevante e eu aconselho que leia com atenção! NUNCA confie em taxistas (sei que está frase soa muito autoritária e pessimista). Mas aqui na Índia é melhor partir do pressuposto que nenhum taxista é confiável até que te provem o contrário. Se alguém por ventura te provar ser um pouquinho mais confiável, mantenha ele por perto mesmo que você tenha que pagar um preço premium por isso. Na Índia é peça rara encontrar um taxista que fale inglês razoável, saiba os caminhos sem se perder (GPS cerebral) e não chegue atrasado para te buscar. Geralmente eles nunca chegam no horário e sempre arrumam inúmeras desculpas enfarrapadas para justificar o atraso: o táxi estava quebrado, o pneu furou, a filha estava doente, e por aí vai.

7- A LÓGICA DO RELÓGIO INDIANO – Para minimizar os possíveis atrasos para seus compromissos, a dica é falar pra o taxista chegar a sua casa uma hora antes do combinado. Daí possivelmente ele chegará no horário certo. E lembre-se, se o taxista estiver atrasado ele sempre irá dizer que chegará em 5 minutos, não importa o quão longe ele está do seu local. Isso porque 5 minutos nunca são 5 minutos no relógio indiano. E isso não vale só para o relacionamento passageiro-taxista, funciona basicamente para qualquer outro relacionamento: cliente-fornecedor, amigo-amigo, chefe-subordinado e por aí vai. Se um fornecedor diz que a mercadoria vai chegar em um mês no Brasil, não é pessimismo estimar que o tempo real será de 2 a 3 meses. O indiano acha que tem um efeito melhor na relaçao dizer que a mercadoria vai chegar em 1 mês ao invés de 3 meses porque na verdade ele tem medo de dizer a verdade e acabar perdendo o cliente. Ele só não imagina que isso acaba tendo um efeito contrário do esperado. Na mente ocidental é preferível saber exatamente o tempo certo para que você possa se planejar de acordo. O indiano, sem perceber acaba perdendo toda a confiabilidade e credibilidade. Então quando você for fazer negócios com um indiano, deixe claro que você já sabe como as coisas funcionam na Índia mas que elas tem que ocorrer de modo diferente caso queiram trabalhar juntos.

8- ESPECIALMENTE PARA MULHERES: Quando estiver visitando um potencial cliente, fornecedor, chefe procure vestir-se adequadamente, ou seja, evite qualquer decote e pernas à mostra. Indiano costuma ter uma tara pelo colo feminino o que significa que um pouco de pele a mostra nesta região pode tirar o foco da reunião ou, pelo menos, você se sentirá muito incomodada com o olhar pervertido do indiano. Lembre-se, o indiano tem uma alta concentração de testosterona armazenada no corpo e qualquer decote pode tira-lo do sério. Não esqueça que a Índia é um país conservador que por exemplo não permite a indústria pornográfica e que os filmes de bollywood quase nem apresentam cenas de selinho, nem se fala outras cositas mas. Para evitar qualquer constrangimento tenha sempre um xale ou lenço na bolsa. Ah e já ia me esquecendo, nunca cumprimente um indiano com beijinhos nem no ambiente de trabalho ou fora dele. A exceçao é se você tiver conhecido o seu amigo indiano em algum país ocidental onde ele já tenha aprendido o costume de cumprimentar-se com beijinhos. Eu por exemplo cumprimento com beijinhos a todos meus amigos indianos que conheci no Chile e que agora voltei a encontrar aqui na Índia.

As coisas andam muito corridas por aqui e não estou tendo muito tempo para escrever no blog. Mas está tudo anotadinho no meu caderno e quando der eu escrevo mais!

Boa sorte para vocês e pra mim também🙂

Simplesmente Pablo Neruda…

Sempre tive curiosidade em saber porque durante toda a história, grandes poetas e músicos adotaram pseudônimos? Será que eles realmente não gostavam ou não de identificavam com seu nome civil ou porque são tão criativos que acreditam que até o próprio nome precisam recriar?  Não sei. Se algum dos meus leitores imaginários tiverem alguma idéia, por favor deixem um comentário.

Estou pensando aqui se valeria a pena criar um pseudônimo pra mim. Mas não confundam isso com nome de guerra (de dia eu sou Mariana e de noite Perigosa….haha). Estou falando muito sério aqui, como sempre. Mas vamos deixar isso pra lá porque esse curto post de hoje não tem nada a ver comigo e sim com uma das personalidades chilenas mais conhecidas no Chile e no Mundo. Estou falando de nada mais nada menos que Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto. Inspirado no escritor checo Jan Neruda, ele ainda adolescente, decidiu adotar o seu nome para Pablo Neruda, e que acabou legalizando anos depois.

Estudou pedagogia em frances na Universidade do Chile mas percebeu que o seu negócio mesmo era escrever poemas, foi aí que a sua trajetória no mundo da poesia teve início. Assim como Vinícius de Moraes, Neruda também resolveu seguir carreira diplomática e viajou o mundo até ser destituído do cargo consular quando eclode a Guerra Civil Espanhola.

Além de poeta, foi senador e marxista ferrenho. Grande amigo de Salvador Allende, Neruda acreditava que o socialismo era a chave para uma América Latina mais justa. Acabou morrendo de câncer na próstata em 1973 (aos 69 anos) mas segundo Isabel Allende, em seu livro Paula, Neruda morreu mesmo foi de de “tristeza” ao ver o governo de Allende ser dissolvido após golpe militar liderado por Pinochet.

Sem dúvida teve uma vida extremamente interessante e curiosa. Buscou uma vida intensa, polêmica, eclética e idealista. Os seus poemas são fortes e ao mesmo tempo simples, alguns extremamente politizados e revolucionários, outros sensualmente e quase que desesperadamente românticos como é o caso do Vinte poemas de amor e uma canção desesperada (video abaixo). Neruda escreve de uma maneira acessível, não necessariamente necessita de palavras muito rebuscadas para tratar de temas profundos e difíceis. É uma leitura leve e de fácil digestão. Essa é apenas a mera opinião de alguém que não frequenta sarau, não lê frequentemente sobre o assunto mas que gosta de ler alguns poemas de vez em quando, ou de vez em nunca?

Um filme interessante inspirado no poeta chileno é O Carteiro e o Poeta que conta sobre a amizade entre o Neruda e um humilde carteiro que deseja aprender a fazer poesia a fim de conquistar o amor de sua vida. Enfim, achei o filme lindo e com uma trilha sonora perfeita.

Fecho esse post com meu poema predileto dele, é o Poema 20 parte do Veinte poemas de amor y una canción desesperada, a voz que lê o poema é do próprio Pablo Neruda. A voz dele é tão densa que sem perceber você acaba  mergulhando naquelas palavras…chega a arrepiar (sem exageros).

PUEDO escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: ” La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

Valparaíso de mi amor

Valparaíso é definitivamente o tipo de cidade que quando você conhece ou você ama ou você odeia. Dificilmente existe meio termo. Isso porque Valparaíso não é o tipo de cidade que possui uma beleza óbvia, fácil de digerir. Valparaíso possui uma distribuição geográfica bem peculiar. É uma cidade remendada por morros e colinas, conhecidas por aqui como cerros que invadem a costa do oceano pacífico e esses cerros possibilitam uma vista simplesmente magnifica do mar.

Valparaíso possui mais de 40 morros. Cada um diferente do outro. A maioria deles apresentam particularidades que não se repetem em outros. Eu moro bem na “divisa”do Cerro Concepcion com Cerro Alegre. É uma regiao histórica de Valparaíso que foi declarada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2003. Cerro Concepción e Cerro Alegre, foram os cerros escolhidos pelas comunidades inglesas e alemãs que viviam em Valparaíso no século XIX até meados do século XX. Hoje em dia estes cerros são o maior atrativo turístico de Valparaíso. Nessa área se concentram a maioria dos restaurantes bacanas , casas remodeladas, bares com música ao vivo, lojinhas descoladas de arte e acessórios femininos. Costumo dizer que se Valparaíso fosse um bairro em São Paulo, seria, sem dúvida alguma a Vila Madalena.

É uma cidade com forte atividade cultural e artística. Possui diversos museus, faculdades de musica e arte, bares bohemios alternativos com apresentaçao de musicos talentosos, exposiçoes ao ar livre de pintira, saraus de poesias, estudantes comunistas revoltados com o capitalismo selvagem e por aí vai. Enfim é uma cidade que sai do senso comum e é quase impossível ficar indiferente a Valparaiso. Não é a toa que era a cidade preferida do Pablo Neruda. As ladeiras e curvas de Valparaiso serviram como inspiraçao para diversos poemas e textos de Neruda.

Esse trecho abaixo descreve Valpo (apelido para os íntimos)de uma maneira muito especial: “Valparaíso es mínimo y universal, sordido y glorioso:

Valparaíso oscuro arde en la arena del Pacífico como un ascua fría, como una estrella de mil puntas. Valparaíso me usurpó, me sometió a su dominio, a su disparate: Valparaíso es un montón, es un racimo de casas locas, es un pájaro que cae sobre tu cabeza, es un niño pobre entre los fierros viejos, es una mujer agobiada, es una distancia. Una pareja, una cama, Valparaíso es una escalera y tres caballos, otra escalera que conduce a las nubes, y otra que nos invita a las vidas ajenas, a la intimidad escurridiza que nunca alcanzaremos a compartir sino con los escalones pisados por un millón de pies que pasaron enfundándose en las sábanas del día Domingo, cuando todo corre escalas arriba, hacia los cerros, hacia las familias numerosas, hacia la pobreza de arriba, pobreza orgullosa y férrea templada en todos los combates de tierra y mar”. (Pablo Neruda)

Eu também acabei me inspirando em um domingo qualquer e saí por aí, muito despretenciosamente, tirando fotos e tentando desenhar algumas imagens que marcaram a minha estadia nesta cidade. Acabo esse post com algumas fotos e desenhos que retratam um pouquinho de Valparaiso mi amor. E hoje acabo por aqui.

Valpo através dos meus olhos

Cenas de Valparaiso

O ano da cigana

O ano da cigana Já faz um tempo que parei de postar. Desde que cheguei aqui no Chile, o único post que escrevi foi sobre o efeito Bollywood, que aliás nao tem nada a ver com o Chile. Já faz um tempo que eu ando sem inspiraçao, e vou procrastinando o próximo post na esperança de que um dia desses irei ter um insight brilhante e uma vontade maluca de escrever sobre alguma coisa. Alguns temas passaram na minha cabeça do tipo como é viver no chile, o efeito Pinochet na vida dos estrangeiros, a sociedade do reggaeton e da piscola, diferneças entre Viña e Valparaiso, e por ai vai…Mas simplesmente ainda nao rolou porque todo o dia fico enrolando e acabo nao escrevendo.

Mas um dia desses, do nada, estava pensando nas minhas mudanças e andanças pelo mundo afora neste ano e simplesmente me deu vontade de escrever sobre isso. Sem dúvida alguma, este ano definitivamente já ficou marcado como o Ano da Cigana na minha vida. Isto porque nunca antes tinha morado em tantos lugares e casas diferentes em tão pouco tempo. Estamos iniciando o segundo semestre e nestes seis meses já me mudei oito vezes. Tirando uma média do início do ano até agora, temos uma taxa “cigana”de 30 dias a cada nova mudança. Olhando os números racionalmente confesso que fiquei chocada e acredito que uma cigana de verdade certemente ficaria com inveja ao se deparar com meus números. É engraçado que nao sinto que mudei tanto assim. As coisas foram acontendo sem querer e sem perceber acabei virando uma cigana de verdade neste ano.

Olha só, comecei meu ano na minha casa em São Paulo e logo na primeira semana de janeiro me mudei para Gurgaon na Índia. Nas primeiras duas semanas morei em uma casa com meu chefe indiano e um trainee da Lituânia. Resolvi mudar de lugar pois enfrentava problemas diários de falta de luz, água e panes elétricas além de ter que conviver com o meu chefe 24 horas no trabalho e em casa, ninguém merece né?

Me mudei com meus colegas de trabalho do Chile para um condomínio de prédios na região mais bem localizada de Gurgaon. Acabei tendo o azar de ficar com o quarto mais minúsculo de todos, que mal cabia minhas malas e o meu 1,79m de altura. Depois de uma semana fiquei sabendo que outro apartamento no mesmo condomíno estava vago e decidi me mudar de novo para poder ter um quarto grande e com banheiro dentro. Por algumas semanas morei lá relativamente sozinha já qure sempre estive muito bem acompanhada de duas largatixas que não saiam do meu quarto, a Filomena e a Clementina. Depois chegaram minhas novas roomates. A primeira que chegou foi a Sachiko, uma garota com descendencia pra lá de exótica: japonesa e africana. Depois chegou a Cibele, uma garota sorridente e com uma boa energia e alto astral tipicamente brasileiro. Foram 4 meses cheios de estória naquele lugar, Ridgewood State, B16.

Quando acabou meu projeto, resolvi tirar umas férias. Tive que sair do apartamento da empresa e me mudei para a casa do Luís e da Júlia por um período de 3 semanas. Conheci esse casal sensacional de brasileiros através do Ricardo e logo acabaram virando grandes amigos meus e me receberam maravilhosamente bem no seu Lar Doce Lar indiano, e por sinal oferece a mehor comida da regiao…aquela casa ainda vai virar restaurante, que conhece sabe exatamente do que estou falando!

Depois do meu período de quase 6 meses na Índia, voltei de novo para um mini período sabático na minha casa em São Paulo.

E nao acaba por aí. No início de Junho deste ano voltei para o Chile. Para variar resolvi mudar de cidade também. Ano passado morei em Viña del Mar e depois de uma proposta irresístivel do Pablo, meu amigo chileno, decidi me mudar para Valparaíso. O Pablo ofereceu que eu ficasse gratuitamente no apartamento dele em Valparaíso enquanto ele ainda estava trabalhando na Índia. Além de cuidar do apartamento, o Pablo queria que eu experimentasse a vida de residente em Valparáiso pois dizia que tinha muito mais a ver com minha personalidade do que a cidade vizinha, Viña del Mar. E ele estava certo. Muchas Gracias Pablito!

Morei maravilhosamente bem por 2 meses no apartamento dele. E como tudo o que é bom dura pouco, o dia D chegou. Com a chegada do Pablo a Valparaiso tive que novamente pegar minhas trouxas e procurar outro lugar para morar. E a saga da cigana continua. E aqui estou eu deitada na minha nova cama, no novo quarto, no novo endereço. Estou morando em uma casa do tipo B&B (Bed and Breakfast) localizada no coração de Valparaíso, exatamente entre Cerro Alegre e Cerro Concepción.

E o bom de tudo isso é que a cada mudança que faço acabo levando menos peso comigo. É o desapego forçado dos bens materiais….quem me conhece sabe que as vezes me torno uma consumidora assídua que vai acumulando, acumulando e que tem preguiça de deixar as coisas super organizadas. Com esse lance de mudançca pra cá, mudançca pra lá, me vi obrigada a comprar menos, acumular menos e me organizar mais. Tá vendo? Tudo na vida tem um lado positivo, ou muitos lados positivos…meu velho camarada Nietzche sabiamente disse: “Tudo que nao me mata, me fortalece”. Tenho que concordar com ele.

Vida nômade

 

Escolhi morar em um lugar tipo pensão desta vez porque estou em um processo de desapego do Chile, um processo devagar de desligamento e realmente agora não me sinto em casa morando aqui. Na verdade me sinto mais como uma turista que veio ao Chile de passeio.

Nao posso negar que meu novo quarto até que é gostoso mas basicamente é o único espaço que é e será só meu nestes próximos 3 meses de Chile. Parece que vida cigana deste ano está por fim se estabilizando, pelo menos por agora.

E é engraçado que no ano passado em uma das minhas aulas de violão, meu professor pediu que eu compusesse uma música. A canção que fiz curiosamente se chamava “Um lugar que seja meu” e fala um pouco de uma vida cigana. A letra era mais ou menos assim:

Parte 1) Não quero ser mais uma cigana/Nem aqui no Chile e nem no Brasil/Quero encontrar um lugar que seja meu

Refrão) Pode ser na Índia, no Taj Mahal/Pode ser na Itália, no Coliseu/Poder ser no Peru, no Machu Pichu/Não me importa aonde…

Parte 2) O que eu quero é poder viver/Tudo aquilo o que eu sempre quis/É olhar para o passado sem se arrepender/E ver que no futuro ainda tem muito mais, muito mais….

Essa música foi escrita antes mesmo de eu saber que iria para a Índia e é curioso perceber que de fato a minha vida cigana de verdade teve seu início lá na índia no ínicio de Janeiro.

“Wikipediando” a respeito do povo cigano, acabei descobrindo que este povo tradicionalmente nômade tem suas origens no norte da Índia, mais precisamente das regiões do Punjab e do Rajastão. E o curioso é que os indianos que me confundem com uma pessoa local sempre acham que eu sou da região de Punjab por causa das minhas feições, cor de pele e estatura. Agora não duvido mais que em alguma vida passada eu tenha sido uma indiana cigana de Punjab. Soa exotico nao? Isso explicaria muita coisa na minha vida. Minha atração quase que cega pela Índia e a minha constante necessidade de mudança, de sair da rotina, de sair da mesmice, de sempre querer explorar o desconhecido.

Mas sei também que isso é uma fase da vida. Essa minha prática nomade de quem que não têm uma habitação fixa, que vive permanentemente mudando de lugar.também enjoa e tembém pode perder o sentido quando não se sabe mais o significado da próxima mudança e o rumo que se quer tomar na vida.

Tem um livro que a Cacá me emprestou que me veio na cabeça agora, se chama “O Pequeno Príncipe me disse” e na verdade é uma releitura de diversas personalidades famosas, comentando diversos trechos do Pequeno príncipe. Curiosamente a Cacá leu somente esse trecho pra mim:

“Caminhando só pra frente, sem curvas, sem passo atrás. Podemos ir muito longe, talvez ir longe demais. Talvez passemos do ponto, talvez fiquemos mais tontos. Talvez não estejamos prontos pra ir onde a gente vai”. (O Gabriel Pensador escreveu este parágrafo inspirado nessa frase do Pequeno Príncipe: “Caminhando só pra frente a gente não vai muito longe”).

Volta e meia relaciono essas palavras com o meu atual momento de vida e com o fato de que talvez esteja mesmo na hora de parar um pouco com o nomadismo e voltar para o Brasil, e até voltar para a casa dos meus pais. Pode ser que não seja ruim dar um passo pra trás. Um, ou dois passos pra trás podem me dar mais impulso e fôlego pra percorrer um novo caminho que vai me exigir passos firmes e fortes.

Faz alguns meses que estou pensando em levar o efeito Bollywood a outro patamar. Pra quem leu meu post anterior provavelmente vai entender o que estou falando. De qualuqer forma resolvi tentar trilhar um caminho empreendedor A cada dia sinto mais certeza ou talvez intuição de que é isso mesmo o que tenho que fazer.

Agora sinto que está chegando a hora de voltar pra casa, para o meu Brasil brasileiro. Termino este post com um pedacinho de uma música “Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está. Nem desistir, nem tentar agora tanto faz…Estamos indo de volta pra casa“. (Cássia Eller).

Você está sob o efeito bollywood? – Are you under the bollywood effect?

Você só vai saber se você está sob este efeito quando entender exatamente do que se trata. Para contextualizar é preciso primeiro que meus leitores imaginários entendem o que é Bollywood. bollywood

Bollywood é o nome dado a maior indústria cinematográfica da Índia em língua hindi. O nome Bollywood surgiu na verdade da fusão de Bombaim (antigo nome de Mumbai, cidade onde se concentra esta indústria), e de Hollywood (centro da indústria cinematográfica nos Estados Unidos).

Em um  único filme de Bollywood o espectador pode experimentar diferentes gêneros. É o esquema pague 1 leve 5. Você assiste romance, comédia, suspense, ficção e terror em um filme que tem duração mínima de 3 horas. É isso mesmo, os filmes de bollywood nunca tem pressa para acabar. Outra característica essencial é que todo filme é regado a muita música e coreografias de dança nos momentos mais inesperados e geralmente sem o menor contexto.

Em um filme típico de Bollywood basicamente tudo pode acontecer. Um garoto de uma casta considerada “inferior” (dalit) e uma garota de casta “superior” (brahmin) podem se apaixonar loucamente e sem nunca terem sequer se beijado. Dois gangsters podem estar quase se matando e depois de um minuto começarem a cantar enquanto dançam abraçados. Dois irmãos separados no nascimento milagrosamente se reconhecem enquanto caminham nas ruas de Delhi. Uma menina e um menino se apaixonam mas descobrem que suas famílias são inimigas e mesmo assim conseguem vencer todos os obstáculos para viverem uma linda estória de amor. E por aí vai. Normalmente o tema central da estória sempre envolve amores impossíveis.

Russel Peters, famoso comediante canadense e filho de pais indianos, faz uma ótima sátira dos filmes de bollywood. Na minha opinião ele captou a essência de uma forma muito engraçada. Vejam o vídeo abaixo:

O ponto aqui é que as estórias de bollywood não poderiam ser mais distantes da realidade. Em um país onde o casamento arranjado pela família é o padrão, fico aqui pensando porque esses temas são tão populares?

O filme de bollywood nada mais é que uma total fuga da realidade. E talvez seja por isso mesmo que faça tanto sucesso na Índia. Todo mundo tem o direito de sonhar. E o cinema indiano eleva  este direito a outro patamar. Em uma sociedade tão estratificada e opressora como a indiana, os filmes parecem ser  a única forma de materializar os sonhos de milhares de indianos. Mesmo que seja apenas por algumas horas, o filme de bollywood trabalha com o imaginário mais íntimo de cada um daqueles espectadores que choram, riem, aplaudem ao ver um casal de castas distintas tendo um final feliz.

Voltando ao começo do texto, onde pergunto se você leitor está sob o efeito de bollywood. Você por acaso já viveu um amor impossível? Já se imaginou largando tudo por algo ou alguém? Já pensou em largar tua profissão atual e abrir uma pousada na frente do mar? Já pensou em virar, ator, cantor ou escritor?

Se sim, até que ponto você levou pra frente sua estória? Esse é o ponto….se você fosse um personagem de um filme de bollywood, você não pensaria duas vezes para encontrar seu amor em um país distante, ou você talvez largaria tudo agora mesmo atrás do seu sonho de virar jogador de futebol ou trapezista do Cique du Soleil. Não importa. Quando você está sob o efeito bollywood você acaba vivendo de sonhos que nem sempre são palpáveis. Sou 100% a favor de pensar grande e sonhar. Mas a pergunta de um milhão de dólares é até que ponto você realmente está disposto a assumir todos os riscos que os filmes de bollywood não mostram?

Eu mesma creio que estou com leves sintomas do efeito bollywood. No tempo em que estive na índia comecei a namorar com o Alejandro, um colombiano que conheci na mesma empresa que trabalho. Os dois loucamente apaixonados passaram 2 meses juntos antes de ele ter que voltar para a Colômbia. Eu continuei trabalhando na Índia. O relacionamento continuou graças a internet (Skype, MSN, etc…). Em países e realidades distintas será mesmo possível que um relacionamento assim possa dar certo? Pode ser que sim, pode ser que não. 

Colombia e Brasil na Índia

Se fosse uma estória de Bollywood provavelmente largaríamos tudo pra ficarmos juntos não? Um encontro de um colombiano e uma brasileira na Índia é tão inesperado que só pode ser coisa do destino, certo? E por isso deve-se seguir o coração…. Mas será mesmo que você consideraria fazer o mesmo na sua vida real?

Na vida quem está realmente disposto a transformar um filme de bollywood em realidade? Quem está disposto a apostar na incerteza? Quem está disposto a largar o emprego para seguir um caminho empreendedor? Quem quer ir realmente atrás dos sonhos? E como saber quais sonhos vale a pena seguir? Talvez apenas 5% das pessoas tome a atitude radical de simplesmente arriscar e pagar para ver.

Estes 5% me fez lembrar de um amigo meu brasileiro que vive na Índia. Conheceu uma brasileira durante alguns dias enquanto estava de férias no Brasil. Se apaixononaram e resolveram viver juntos na Índia. Definitivamente esse é um exemplo clássico de arriscar e pagar para ver. É quase uma versão brasileira de um filme de bollywood.

Acho que todo mundo tem que experimentar momentos de bollywood na vida. O truque aqui é saber se você está disposto a elevar o seu momento bollywood ao patamar da realidade. Do contrário meu querido leitor, sinto-lhe informar que você foi contaminado pelo efeito bollywood.

Pra terminar assistam o trecho de um típico filme de bollywood (Kal ho naa hoo) estrelado por nada mais nada menos que Shah Rukh Khan, o “Brad Pitt” da Índia….Esse filme me introduziu ao mundo de bollywood. Divirtam-se e tentem aprender a coreografia!!!!

(rough english version = google translator)

You will only know if you are under this effect when you understand exactly what it means. First of all, my imaginary readers will have to understand what Bollywood is.

SEE the photo above in the Portuguese version of this post.

Bollywood is the name given to India’s largest film industry in hindi language. The name came from a merger of Mumbai (former name of Mumbai, a city where the industry is concentrated) and Hollywood (center of the film industry in the U.S.).

In one Bollywood film the viewer can experience different genres of movies. Pay one take 5 kind of a thing. You watch romance, comedy, suspense, drama and terror in a film which has duration of at least 3 hours. That’s right, the bollywood movies are never on a rush to finish. Another key feature is that every movie has lots of songs and dance choreographies in the most unexpected moments, most of the times, mostly the songs come out of nowhere!

In a typical Bollywood film basically anything can happen. A boy from a caste considered “inferior” (Dalit) caste, and a girl of “higher” (Brahmin) can fall madly in love and without ever having kissed. Two gangsters can be almost killing each other and after one minute will be hugging and dancing. Two brothers separated at birth miraculously will recognize each other while walking on the streets in Delhi. A girl and a boy fall in love but suddenly find out that their families are enemies and somehow they still manage to overcome all obstacles to live a beautiful love story. And so on. Usually the central theme of the story always involves an impossible love.

Russell Peters, a famous Canadian comediant and son of Indian parents, makes a great satire of the bollywood movies. I think he captured the essence in a very funny way. Watch the video below:

SEE the video above in the Portuguese version of this post.

The point here is that the stories of bollywood could not be further from the reality. In a country where the arranged marriage by the family is the rule, the standard, why are these movies so popular?

The movie of bollywood is nothing but a total escape from reality. And perhaps for this reason it is such a huge hit in India. Everyone has the right to dream. And the Indian film raises this right to another level. In a society somehow oppressive and conservative as the Indian, the Indian films seem to be the only way to materialize the dreams of thousands of Indians. Even for a few hours, the bollywood movie has the capacity to develop the imagination of those Indians who can cry, laugh, and applaud when watching a couple of different castes with a happy ending.

Returning to the beginning of the text, where I ask if you are under the bollywood effect. Have you ever lived an impossible love story? Have you ever thought about giving up of something to be with someone? Have you ever thought about giving up your current career to open a bar in front of the beach? Have you ever thought about doing something different, like becoming an actor, singer or writer?

If yes, how far did you take forward your story? This is the point …. If you were a character in a film of bollywood, you will not think twice to go after your love in a distant country, or to go after your dream of becoming a football player or the trapeze artist in Cirque du Soleil. It does not matter. When you are under the effect you ended up living out of dreams  that are not always tangible. I am 100% in favor of thinking big and dreaming. But the million dollar question here is how much are you really willing to take the risk that show bollywood movies do not show?

I believe that I am with mild symptoms of the bollywood effect. In the time it was in India I started dating Alejandro, a Colombian guy who was working on the same company. The two of us fell madly in love but after two months his contract expired and he had to go back to Colombia. I continued working in India. The relationship continued through Internet (Skype, MSN, etc …). In different countries and different situations, does this relationship have a promising future? Maybe yes, maybe not.

If it was a Bollywood story, we would probably gave up on everything else just to be together, right? The meeting of a Colombian and a Brazilian in India is such an unexpected thing which can only be the destiny, right? So one you should follow your heart …. But will you even consider doing the same in your real life? Any unexpected situation, such as meeting someone from another country in a third country, falling madly in love, being separated going back home… its seem like a Bollywood movie in the making,  but what would happen in the end of a Bollywood movie? Its so unexpected that is must be fate, therefore one must follow their heart. But would you consider doing the same in your real life?

In life who is really willing to turn a movie from bollywood in reality? Who is willing to bet in the uncertainty? Who is willing to leave their jobs to follow an entrepreneurial path? Who really wants to go behind their dreams? And what dream is worth following? Perhaps only 5% of people take the radical attitude and just pay to see.

These 5% reminds me of a Brazilian friend who lives in India. He met a Brazilian girl for a few days while he was on vacation in Brazil. They completely fell in love and resolved to live together in India. Definitely this is a classic example of taking a risk. It is almost a Brazilian version of a real bollywood movie.

I think everyone should experience bollywood moments in life. The trick here is to think whether you are willing to take it to new heights. Otherwise my dear reader, I inform you that you have been contaminated by the bollywood effect.

Enjoy a short passage of atypical movie of bollywood (Kal ho naa hoo). This movie introduced me to the world of bollywood. Have fun and try to learn the dance choreography!

SEE the video above in the Portuguese version of this post.

Sem mais “CHAOS”, sem mais “COWS”

Henna nas mãos mais uma vez

Henna nas mãos mais uma vez

 

Ontem  à noite me despedi da Índia e depois de 8 horas já estava no aeroporto de Frankfurt. Ficarei  12 horas esperando meu vôo de conexão para São Paulo. Não tive ânimos de aproveitar o tempo para conhecer a cidade de Frankfurt. Ainda não estou preparada para encarar o mundo lá fora.

Acho que seria muito chocante passar umas horinhas rondando pelas ruas da cidade. Temo cochilar ao sentir os ares de pureza e marasmo. Não quero perder o vôo para o Brasil.

Sem opção, tomei um expresso de 4 euros (o que equivale a pelo menos 10 expressos na Índia), e decidi escrever um pouco sobre como estou me sentindo agora.

Estou com uma sensação estranha dentro de mim. Já imaginava que ir embora da Índia me deixaria com uma sensação de vazio. Me senti conectada a este país desde o primeiro dia. Os meus amigos até brincavam que eu talvez tenha sido indiana em alguma vida passada. Não duvido. Mas a verdade é que a minha adaptação aqui não poderia ter sido mais tranquila. Em nenhum dos lugares que eu morei até hoje: Inglaterra, Peru e Chile me senti assim tão em casa como na Índia. Este país me abraçou como o pai que que não teme mostrar a verdade, o pai que te faz abrir os olhos para o prazer das pequenas coisas, o pai que te deixa fazer as suas próprias escolhas, e de longe acompanha e vibra com suas conquistas. A Índia abriu meus olhos para o novo e para o diferente, e não é preciso de binóculos para enxergar tudo o que Índia tem para mostrar. É simples assim. Se você abre seu coração pra Índia, a Índia vai abrir o dela pra você. E olha que o coração da Índia é maior que coração de mãe…tem espaço para mais de 1 bilhão de pessoas.

Depois de alguns meses na Índia não sei mais o que é uma ruas sem vacas, porcos e elefantes. Não sei mais o que é não ter que andar em riquixá. Não sei mais o que é comprar sem antes barganhar. Não sei mais o que é uma viagem curta no final de semana. Não sei mais o que é comida sem curry, sem masala. Não sei mais o que é escutar música que não seja bollywood. Não sei mais o que é andar pelas ruas sem sentir uma mescla de odores distintos. Não sei mais andar na calçada. Não sei mais deixar de mexer a cabeça de um lado para o outro, dizendo tik hai, tik hai. Não sei mais viver sem o efeito surpresa diário de um país em que o impossível não é só possível mais acontece todos os dias. Enfim, vou estranhar a falta de “CHAOS e COWS” na minha vida.

A Índia causa diversos efeitos na gente. Um dos que mais me marcaram foi o fato de que o cotidiano passou a ser algo que valesse a pena ser analisado diariamente. O fato de um elefante enfiar a tromba na janela em pleno trânsito em Delhi em uma segunda-feira qualquer te coloca em uma situação cinematográfica onde as vezes você pode ser o ator principal ou apenas um mero figurante. É isso, muitas vezes achei que aquilo que estava vendo e vivendo só poderia ser coisa de cinema. O caos frenético das ruas, as pessoas com roupas que lembravam meus livros de história, os rituais e as crenças que não imaginava que existissem. Sempre pensava que logo mais o diretor do filme iria falar: “CORTA”. E aí os atores retocariam a maquiagem, trocariam o figurino e decoariam novas falas de um filme imprevisível, cheio de surpresas angustiantes, incríveis, tristes e alegres. Tudo ao mesmo tempo.

Se a Índia fosse mesmo um filme, seria de romance, suspense, terror e comédia.  Para alguns ela é só romance, pra outros só suspense, terror ou comédia. Para mim a Índia foi um pouquinho disso tudo. E sabe o que eu descobri? O filme não acaba por aí. Fez tanto sucesso que vai ter continuação. E se eu não for escalada para atriz principal, pelo menos vou chegar bem cedinho pra sentar na primeira fila do cinema. Quer vir comigo?

 

Luz, Câmera, Ação

Luz, Câmera, Ação

Entenda como o efeito rickshaw impacta a vida do estrangeiro residente na India

Ainda tentando entender o ambiente corporativo na Índia e como este estava afetando o nosso trabalho e a nossa maneira de perceber as coisas, eu e meus colegas que vieram do Chile comigo começamos a elaborar algumas teorias a respeito.

Vocês já repararam que os papos filosóficos normalmente surgem em uma mesa de bar? Após algumas cervejas depois do trabalho aqui em Gurgaon, começamos a tentar entender como a Índia tinha mudado a maneira como enxergávamos as coisas que passavam ao nosso redor.

Para entender melhor sobre o que estou falando vou fazer uso de algumas metáforas que tem tudo a ver com a Índia. Assim como o Lula, às vezes considero a metáfora um dos melhores recursos para transmitir uma mensagem de forma simples e clara. A metáfora nos leva direto à essência, o que nos possibilita fazer relações com fatos que acontecem na vida de cada um de nós.

A idéia aqui é relacionar o trabalho na Índia com fatos que acontecem no cotidiano de provavelmente todos os estrangeiros que vivem no subcontinente indiano. As metáforas que serão utilizadas neste post têm a ver com um dos meios de transporte mais comuns na vida de um estrangeiro na Índia: o rickshaw.

Nada melhor que relacionar como o efeito rickshaw muda nossa percepção de risco, medo e reação. Mas o que é o efeito Rickshaw? O efeito rickshaw nada mais é que a perda da noção de perigo. Você ê percebe que está sob o efeito rickshaw quando uma situação que antes parecia de alto risco passa a ser vista com outros olhos. Com olhos extremamente ingênuos e otimistas, de quem acha que no final das contas tudo acaba bem. Os indianos de uma forma geral vivem sob este efeito. Parece que nem os estrangeiros residentes na Índia conseguem escapar dele e vou explicar agora de que maneira isto acontece.

Para quem não sabe, o Rickshaw é um dos meios de locomoção mais comuns na Índia e pode ser encontrado em minúsculos vilarejos até em grandes cidades como Delhi em Mumbai. Você encontra tanto a versão bicicleta (foto abaixo à esquerda) quanto o auto rickshaw (foto abaixo à direita). Mas sem dúvida alguma o rickshaw bicicleta é de longe uma experiência bem mais emocionante.

Tipos de rickshaw na Índia

Tipos de rickshaw na Índia

Me lembro bem da minha primeira vez em um rickshaw. Foi no meu segundo dia na Índia. Meu chefe, a Helen e eu fomos almoçar no Shopping aqui de Gurgaon. Achei aquilo uma loucura, o indiano que estava dirigindo simplesmente atravessou a rua sem olhar e se jogou na avenida em pleno movimento de carros em alta velocidade. E na verdade não existe uma pista só para rickshaws, então o cara pedala ao estilo “Flinstones” na mesma pista que um carro em alta velocidade. Eu pensei comigo mesma: “Isso só pode dar errado”. Só sei que gritamos o caminho inteiro achando que iríamos ser atropeladas a cada minuto quando víamos um carro passando de raspão. Quase xingamos o nosso chefe que estava no outro rickshaw: “Você é um louco, acabamos de chegar e você quer ver a gente morrer aqui? “. Naquele dia eu jurei pra mim mesma que era a última vez que andaria em um rickshaw. Aquilo simplesmente parecia perigoso demais. E ele só ria da gente e só fava que logo mais a gente iria se acostumar.

E ele estava certo. Os estrangeiros acabam se acostumando, eu me acostumei. As primeiras vezes podem ser um pouco traumáticas, é quase como se você estivesse em um videogame. A grande diferença é que em um videogame por mais que você tenha chances de se dar mal no jogo, no fundo sabe que não vai se machucar. Afinal é apenas um jogo. O rickshaw é um videogame na vida real.

Mas por algum motivo inexplicável, aquele medo inicial acaba desaparecendo depois de um tempo. E ai você se vê quase que indiferente ao que se passa no trânsito caótico da Índia. Não importa se tem um caminhão vindo na contramão na direção do rickshaw ao mesmo tempo em que você quase leva uma chifrada de um boi no meio da rua. Não importa se o rickshaw está na contramão, no meio de uma rua extremamente movimentada. Não importa. Alguma coisa aconteceu no meio do caminho que fez com que minha noção de perigo mudasse: do pânico inicial  para uma completa abstração.

Outro dia, por exemplo, tive um pequeno acidente em um rickshaw e  me surpreendi com a minha própria reação. Estava indo para a academia por um caminho alternativo, por umas ruelas de terra super esburacadas. Quando o rickshaw fez uma curva com um pouco mais de velocidade, uma das rodas ficou presa no buraco fazendo com que o rickshaw inclinasse para esquerda, como se realmente fosse cair. Na hora,  pulei do rickshaw ainda em movimento e o cara que dirigia fez o mesmo, e segurou o rickshaw para que este não caísse. Meu coração batia forte. Afinal não é todo dia que este tipo de coisa acontece e nesse dia voltei a me dar conta que o rickshaw não é invencível, que nem sempre tudo acaba bem. Enquanto meu coração batia, o motorista do rickshaw ria da situação. Enquanto uns se “fodem”, outros se divertem. Assim é a vida na Índia.

Pensei por 2 segundos se deveria subir no rickshaw depois do que tinha acontecido. E subi. Os milhares de deuses hindus estão protegendo. Sabiam que, de todas as cinco maiores religiões do mundo em número de fiéis, o hinduísmo é a única crença com características politeístas? Agora entendo o porquê, um só deus não daria conta de cuidar de mais de um bilhão de indianos andando em rickshaws por ai. Sem duvida alguma, os deuses Ganesh, Vishnu, Shiva entre tantos outros tomam conta dos indianos e estrangeiros que vivem neste país.

Agora volto ao começo do texto, quando mencionei que iria relacionar o efeito rickshaw com o dia-a-dia de trabalho na Índia. Pelo que percebi nestes quatro meses de trabalho foi que o efeito rickshaw também está presente no mundo corporativo e afeta a maneira como as pessoas percebem situações de risco. Sem entrar em muitos detalhes, nos deparamos com um projeto extremamente problemático no trabalho. Um projeto que desde o início já mostrava sinais claros de um desastre iminente caso nada fosse feito para reverter a situação.

Porém parecia que todo mundo ali estava sob o efeito rickshaw, ou seja, ninguém mais percebia o caos, o risco. Ao invés do caminhão na contramão, nos deparávamos com deadlines impossíveis de cumprir, ao invés de vacas no meio do caminho, nos deparávamos com a falta de comunicação clara entre os envolvidos. O projeto na verdade tinha se transformado no próprio rickshaw. O projeto andava a 5 km por hora em uma avenida que na verdade exigia uma velocidade de no mínimo 70 km por hora. E o pior de tudo é que por mais que você aponte o problema, você continua sentada em um rickshaw que não tem recursos para andar mais rápido em uma avenida cheia de buracos, pedras e elefantes. E de novo alguma coisa aconteceu no meio do caminho que fez com que minha noção de perigo mudasse: do pânico inicial  para uma completa abstração. Mas no final tudo acaba bem certo? Talvez sim, talvez não. Ando questionando a invencibilidade do rickshaw depois daquele pequeno acidente que sofri naquele dia.

Só espero que os deuses indianos protejam não só os indianos em seus rickshaws, mas também o mundo dos negócios aqui na Índia.

No meio do caminho tinha um elefante. Tinha um elefante no meio do caminho….

E o elefante caminha tranquilamente pelas ruas de Delhi

E o elefante caminha tranquilamente pelas ruas de Delhi

Outro dia alguém me perguntou se eu estava gostando de morar na Índia. Eu disse que estava amando, que era uma experiência que precisava vivenciar. Então a pessoa me perguntou qual era a coisa que mais gostava daqui. Não precisei de muito pra responder. O que mais gosto da minha vida na Índia é o efeito surpresa diário. Não existe um dia do meu cotidiano na Índia que não aconteça algo incrível, algo surpreendente, algo chocante, algo que nunca imaginei que poderia acontecer. São fatos que mexem muito com minhas emoções, às vezes de uma maneira positiva, às vezes de uma maneira negativa. Não importa como, a Índia tem a capacidade de mudar a maneira que você enxerga as coisas.  

Hoje por exemplo aconteceu algo curioso. Depois de uma viagem de trem de 15 horas de Varanasi, chegamos em Delhi e tomamos um taxi para nos levar a Gurgaon.  O calor de 42 graus em um taxi sem ar condicionado me obrigou a deixar as janelas totalmente abertas.  Assim como no Brasil, vem muita gente pedir esmola, principalmente crianças. Aqui normalmente elas não tentam vender balas ou fazer malabarismos. Aqui a esmola é praticada na sua forma mais tradicional, todos os pedintes fazem um movimento repetitivo com a palma das mãos e depois levam a boca, indicando que querem dinheiro para comer. Quem assistiu ao filme “Quem quer ser milionário”, filme vencedor do Oscar deste ano, sabe bem do que estou falando. Mais do que pedir esmola, esta prática já virou um negócio que destrói a vida de milhares de crianças na Índia.

Abordei este assunto da esmola pra dar um pouco de pano de fundo ao que aconteceu logo depois de aquelas crianças terem pedido esmola no nosso táxi. Estava distraída quando olhei pra minha esquerda e vi nada mais nada menos que um elefante esperando o semáforo abrir. Olhei de novo pra ver se eu estava tendo visões ou se realmente tinha um elefante em plena segunda-feira, ao meio dia, no trânsito caótico de Delhi. Eu, super viciada em fotografias, já tirei minha câmera da bolsa para registrar aquele momento inacreditável. O homem que “dirigia” o elefante disse algo em híndi que eu obviamente não entendi. Ah, e se você acha que a estória acaba por aí meus queridos leitores imaginários, vocês estão bem enganados. O bendito elefante decidiu enfiar a tromba dentro do nosso táxi, na verdade bem na minha janela. Dei aquele grito exagerado de quem não está assim tão acostumada a ver uma tromba de elefante entrando na minha janela. O taxista foi logo dizendo pra eu não me preocupar: “tih hai, tik hain”, ele dizia está tudo bem, o elefante é inofensivo.

Na hora tive um insight de que na verdade o elefante talvez estivesse pedindo esmola pra mim. Será? Não, não pode ser…Resolvi fazer um teste. Peguei uma nota de 10 rupias (40 centavos de real) e estendi a minha mão para fora do carro. Em menos de 5 segundos o elefante captou a mensagem e foi direto pegando a nota com a sua tromba. O elefante pegou a nota e levou para o seu chefe, o cara que estava sentado em cima dele. Fiquei pasma ao perceber que o cara usava o elefante como um meio de pedir esmola. Fiquei com pena daquele elefante, nem ele conseguiu escapar das mazelas do capitalismo, da pobreza sem fim que existe não só nesse país, mas em outros também. Ainda não posso acreditar que tinha me deparado com um elefante pedindo esmola em plena cidade de Delhi.

 

 

E elefante também pede esmola...

E elefante também pede esmola...

 

 

O sinal abriu e o trânsito começou a se movimentar novamente. Olhei para trás e vi o elefante andando calmamente no meio da rua, parecia não se dar conta dos carros, motos, rickshaws, bicicletas e pessoas ao seu redor. Simplesmente caminhava a passos de elefante em um dia qualquer em uma rua qualquer na capital de um país que consegue me surpreender diariamente.

 

 

Só na Índia mesmo...

Só na Índia mesmo...

 

 

 

Cenas cotidianas do mundo corporativo na Índia

Já tinha ouvido falar que o clima de competição na Índia era muito grande. Não é difícil de imaginar o porquê disso. Com milhares de engenheiros, administradores e outros graduados se formando a cada ano e com uma oferta de trabalho que não é proporcional ao numero de pessoas que se formam, é de se imaginar que a competição no mercado de trabalho seja algo mais do que esperado. Rupees

E esse clima competitivo começa bem antes, já nas salas de aula dos colégios e depois nas universidades….imagino que 95% dos alunos queiram participar da aula para mostrar ao professor e aos colegas que são bons e que têm potencial…eles parecem querer desesperadamente sobressair da multidão.

Estava conversando sobre este tema com um colega indiano que trabalha aqui comigo na Índia e que também trabalhou no escritório do Chile. Ele me pediu para que comparasse o clima corporativo no Chile e na Índia. Comentei que a falta de flexibilidade e a burocracia exagerada eram os fatores que mais me incomodavam aqui na Índia.

Outro fato que me impressionou também foi ver que os indianos são muito mais submissos. Eles conseguem engolir muito mais sapo que nós latinos. Nunca reclamam quando tem que trabalhar todos os dias até mais tarde, trabalhar nos finais de semana mesmo sem ganhar hora extra! No mundo corporativo todos e cada um de nós somos facilmente substituíveis. Sempre vai ter alguém que consegue fazer exatamente o que você faz aceitando ganhar um salário menor. Mas na Índia sinto que essa sensação de ser altamente substituível é muito mais forte que na maioria dos outros países. Enquanto que no Brasil existem 1000 pessoas que poderiam ocupar o seu cargo, na Índia, sem dúvida alguma esse número poderia ser elevado a quinta. Depois a gente começa entender o porquê da lei do matar ou morrer ser tão forte por aqui.

Comecei a perceber bem isso em uma sessão de treinamento que participei na Empresa…..o orador no caso, foi tão bombardeado de perguntas que chegou a dar pena. Mas não era o tipo de pergunta que você faz quando espera uma resposta e sim aquele tipo de pergunta feita só para testar o quanto aquela pessoa não dominava do assunto em questão…porque na verdade aqueles que perguntavam queriam mostrar que aquela pessoa não tinha tanto conhecimento e que na verdade tinham um maior domínio do assunto…..juro que depois de tantos tomates fictícios na cara da oradora, só faltou ela sair dali chorando.

São vários fatos que vivenciei nestes últimos 3 meses trabalhando na Índia que me fazem pensar que o ambiente de trabalho aqui é muito mais pesado e cruel que na America Latina. Aqui me dá impressão que o seu colega fica feliz quando te vê por baixo…por não saber algo que ele sabe….

Outra coisa que me marcou também é que eles fazem questão de anunciar tudo na empresa…..se o cara vai casar, se o cara vai fazer um MBA, se o cara vai ser promovido eles chamam o andar inteiro pra fazer o grande anuncio e por aí vai….Pra mim isso seria mais do que normal se este anuncio fosse feito para sua equipe, para seus colegas próximos e tal..porém aqui não….ELES TEM QUE ANUNCIAR PARA TODOS E VOCE AINDA TEM QUE FAZER UM DISCURSO E PROVAVELMENTE AINDA PAGAR DOCES E UM JANTAR PRA AREA INTEIRA PORQUE AFINAL DE CONTAS ALGUMA COISA BOA ACONTECEU COM VOCÊ…

Mas o que na verdade me impressionou e o que me fez ter vontade de escrever sobre este assunto foi que, com todo este clima de crise mundial…..as demissões aqui na empresa tem acontecido com maior freqüência….

Eu fui convidada para a despedida deste indiano que não conhecia, mas que trabalhava no meu departamento. Quando recebi o e-mail a respeito da despedida dele na sala de treinamento pensei que ele iria sair da empresa pra fazer um MBA, ou que conseguiu outro emprego, ou que iria viajar, ou tirar um ano sabático para viajar o mundo…sei lá… Mas pela cara triste e de choro do indiano, percebi que o motivo da despedida não era algo bom e depois acabei descobrindo que o evento de despedida era para “celebrar” nada mais nada menos que a demissão dele.

E a sala tava lotada de pessoas, a maioria (inclusive eu) nunca tinha trabalhado com ele e nem sequer sabia o nome do cara. Ou seja, uma coisa muito impessoal principalmente num momento difícil como aquele. Quando alguns colegas do demitido começaram a fazer discursos, foi tudo tão superficial e vazio que me senti mal por ele. As poucas palavras que falaram foi pra tirar com a cara dele ou pra dar algum feedback negativo. Foi uma situação totalmente humilhante para ele, e totalmente desnecessária. Na minha opinião, um feedback profissional deve ser dado somente para você entre quatro paredes sem que colegas que você nunca trabalhou na vida fiquem sabendo do que fez ou deixou de fazer.  Isso me fez pensar mais de uma vez que de uma forma geral os indianos tem certas dificuldades quando se trata de de habilidades sociais.

Diante daquela situação, e depois daqueles comentários que mais pareciam beliscões em uma bunda queimada de sol…..resolvi deixar umas palavrinhas de conforto pra aquele indiano de 21 anos, que poderia ter trabalhado comigo, e que poderia ter se tornado meu amigo…nunca se sabe…

“Na verdade quero só falar umas palavrinhas para você…sei que não te conheço muito, ou melhor, na verdade nunca nos falamos…mas o que eu queria te dizer é que não importa quais são as razoes para a sua saída aqui da empresa, só queria te dizer que mudanças podem ser muito boas na vida, seja mudança de emprego, de país, de profissão…..é só quando você passa por uma mudança desse tipo que tem tempo pra pensar em tudo que fez no passado e o que espera fazer no futuro….Espero que seu futuro seja ótimo, não importa quais forem suas escolhas, te desejo muita sorte na sua vida”.

E foi assim que o evento da demissão terminou. As pessoas foram embora e quase ninguém o cumprimentou ou deu um abraço de despedida. Foi algo simplesmente frio.

Todos voltaram para suas mesas de trabalho, inclusive eu e o indiano que foi despedido. Ele desligou o computador pegou as suas malas e se foi. Ele foi embora sem olhar pra trás e sem dizer adeus.

Gurgaon

Gurgaon

Quando uma mulher experimenta a massagem ayurvédica…

Para aqueles que acompanham o blog devem se lembrar de um post entitulado “Interessados em uma massagem indiana?” onde meu amigo Ricardo conta sua “traumática” experiência de ser massageado de forma profunda por um indiano em Kerala, no sul da Índia. Além da visão masculina, engraçadíssima e tipicamente brasileira (“Eu hein, um homem fazendo massagem em mim?”) a respeito da massagem ayurvédica queria a opinião mais séria de uma mulher, e que por sinal também é brasileira.

A Priscila, que agora nos abandonou e voltou para a bela Paris, cumpriu sua promessa e me mandou esse texto inspirado onde compartilha comigo e com vocês a experiência ayurvédica dela no sul da Índia. As fotos sensacionais que estão neste post também são todas “doadas” pela Pri.

Esse post não estaria no meu blog se o Ricardo (o meninão da massagem) não tivesse me apresentado à Priscila que acabou virando uma grande amiga. Não só uma amiga da Índia… mas uma amiga pra vida.

Sem mais… Agora passo a bola pra Priscila que acaba de entrar na passarela de corpo e alma…

 

A pedido da querida Mari, seguem algumas notas sobre a minha experiência ayurvédica no Kerala.

Ao final de 5 meses de trabalho em Nova Déli, e uma ou outra viagem de final de semana pela Índia, incluindo a volta no tempo medieval de Varanasi, no espaço colonial de Kolkata e na impaciente Bollywood de Mumbai, resolvi descer para o Kerala para desacelerar a mente e energizar o corpo.

Essa última viagem também conclui uma missão: completar o ciclo indiano de passagem da menina que chegou em Déli para a mulher que me tornei. Nesta etapa, descobri um sorriso mais fatal e, simultaneamente, perdi boa parte da comédia. Diferente da Mari, que ainda tem muuuuito tempo antes de se entregar ao sistema indiano de hearthunters, eu só tenho 2 anos. Ela ainda pode se dar ao luxo de saltitar pelas “calçadas” de Gurgaon, passar uma tarde inteira de domingo entre as amigas no Khan Market ou tropeçar nos braceletes das vendedoras de Connaught Place, toda distraída, ignorando chamadas no celular e parando para pensar… Afinal ainda são 4 ou 5 anos para ela desfrutar do poder de escolha: será que visto sorriso tímido comedido movimentando sutilmente os cílios devidamente aveludados lancôme oscilation?  – “pode ser que você seja um paquera” – que pode mudar em segundos para o gigante sorriso comédia de olhos bem abertos impecavelmente enquadrados pelas sobrancelhas threading, a prova de qualquer dúvida – “quero ser apenas seu amigo”. Comigo, agora, o assunto é sério e só tenho tempo para um sorriso. Por isso, a tentativa de no tom mais serial, daqui em diante, ser mais informativa. Deixo a comédia com a Mari e com o Rica (aquele do “meninão” que é um eterno meninão). Aliás, o que anda aprontando o Rica, Mari? Pede pra contar a novela dele no blog! Assim mato um pouco a saudade também.

Enfim…

Kerala é estado do sul(doeste) da Índia, conhecido pela tranqüilidade e simplicidade de seu povo e pela natureza deslumbrante. O povo é muito simples, mas longe de ser miserável. Parecem bem cuidados e bastante educados. De fato, a taxa de alfabetização alcança mais de 90% da pop do Kerala. Por onde andei, não vi ninguém pedindo dinheiro na rua. Também não vi nenhum indiano cuspindo pra fora dos riquixás (o verbo que melhor descreve é escarrando, mas é tão feio falar quanto presenciar o que fazem) ou fazendo xixi na rua, cenas típicas da vida urbana de Delhi. Além das praias, a região é marcada pelos incríveis backwaters (canais). Os rios correm paralelos ao mar, separados por incontáveis kilômetros de coqueiros.

Backwaters by Priscila

Pra quem se encantou com o verde de Maceió ou com a praia pernambucana dos Carneiros, Kerala é o verdadeiro paraíso. Lugar ideal para desacelerar a mente. Fora a beleza estética, é principalmente pelo clima e biodiversidade que no Kerala melhor se desenvolveu a chamada medicina ayurvédica. É por causa do clima quente – próximo ao equador – e úmido (são dois períodos de monções) que lá se encontram as diversas ervas e plantas necessárias para os medicamentos e o calor que facilita os tratamentos.

Lotus flower by Priscila

Com base na idéia de que a saúde perfeita se encontra no equilíbrio dos doshas (o que a Mari já explicou), um dos tratamentos mais conhecidos na medicina ayurvédica é o Panchakarma. Sua sistematização data mais de 1200 anos AC. Não é um tratamento único para curar doença determinada. Na verdade, trata-se de um ciclo de cinco terapias de purificação conforme necessárias (e que pode incluir estímulos à excreção, vômito e sangramento) com o objetivo de eliminar toxinas que desequilibram o estado de saúde corporal. Cuida do bem estar e previne doenças principalmente com foco no bom funcionamento do aparelho digestivo. Dependendo do tempo e intensidade das terapias elimina-se toxinas de anos e anos acumulados. Conseqüentemente, promete melhorar a pele, cabelo, brilho dos olhos, disposição. Como todo tratamento ayurvédico, sugere-se complementar com a prática de yoga. Não se trata de cuidar da saúde mental, encontrada no equilíbrio dos gunas (componentes essenciais ou energias vitais da mente), cuja perfeição jamais se realiza por meros mortais, mas que pode ser melhorada com ajuda do vegetarianismo, oração e meditação.

O tempo mínimo para um ciclo completo de Panchakarma é de 21 dias. Como eu só tinha 6 dias num hospital e centro ayurvédico do Kerala (um tanto diferente do Rica e seu “meninão” que foram passar um feriado num hotel/SPA), fui lá descobrir o povo do Kerala, aproveitar uma alimentação mais simples e leve (longe dos currys amanteigados e encremados do Norte), porém não menos picantes (devo ter ingerido 5kg de folha de curry e pimenta do reino misturados no dahl de cada dia, cada hora, café, almoço e jantar), fazer um pouco de yoga e experimentar uns tratamentos pré-panchakarma. Aqui entram as massagens ayurvédicas.

São basicamente dois tipos de tratamentos pré-panchakarma, cujo principal objetivo é a aplicação de medicamentos herbais misturados aos óleos que facilitam sua absorção, entrando para depois sair do nosso organismo como se estivessem tirando as toxinas “com a mão”. De um lado, os pacientes ingerem medicamentos misturados ao ghee (extrato de manteiga, na forma líquida, que ativa e maximiza a absorção dos medicamentos pelos tecidos internos). Por outro lado, pela parte externa do corpo, são aplicados medicamentos misturados na maior parte das vezes aos óleos. Essas aplicações são feitas com a ajuda das massagens (de diferentes formas e praticamente em quase todas as partes do corpo) e também do shirodhara (fluxo contínuo de óleo ou outros líquidos derramados em cima do terceiro olho).

Dito isso, o óleo, de fato, é praticamente o protagonista de qualquer tratamento ayurvédico. Tanto é que merece uma cama própria, feita em formato específico para não escorrer óleo no chão e de madeira especial para facilitar a higienização. Ao mesmo tempo é uma cama bem dura. Mais confortável do que dormir no chão, pior do que dormir em rede, mas muito pouco confortável para quem está acostumado a dormir em colchão de molas ensacadas e forrado com pillow top de viscoelástico.

Massagem ayurvedica by Priscila

Fiz massagens de vários tipos. A que servia mais para fortalecer o corpo do que relaxar, além de ser feita com muito óleo, cobriu meu corpo de uma pasta/lama rosa, que saia e era espalhada por trouxinhas de pano, que continham um preparado de um arroz especial misturado e aquecido com leite. A sensação inicial era muito boa. Depois senti muito frio, o que explicou o que veio em seguida: o banho mais escaldante que já tomei na vida.

A maioria das massagens é feita em dupla de terapeutas, às vezes trios, para aumentar a intensidade da aplicação e da circulação, melhorando a absorção dos medicamentos, que se completa com a transpiração. Para essa última, nos colocam na tal “mini-sauna”, sentados dentro de um bloco de madeira que está ligado literalmente a uma panela de pressão. Ali, fica-se, pelo tempo necessário dependendo de cada um, apenas com a cabeça para fora, coberta com um pozinho alaranjado que tem por função não deixar a cabeça ferver.

Depois de todas as massagens, óleos, arroz, lama, água quente, vapor, pozinhos coloridos, esfoliantes, chegava uma sensação interminável de cansaço. Muito cansaço. Mais cansaço. Mas como ficar tão cansada de não fazer nada, ou ainda, de receber massagens e tratamentos “relaxantes”? Na verdade o corpo trabalha silenciosamente recebendo diversos estímulos para eliminar as toxinas … A sensação de relaxamento e disposição mais constantes só apareceu uma semana depois dos tratamentos.

Nos centros ou spas mais sérios, os terapeutas são sempre do mesmo do sexo do paciente/cliente. Daí o desespero do Rica. Se para ele o maior pesadelo foi sentir o “meninão” escaldado no óleo morno que escorria na medida em que um indiano esfregava o corpo dele, pra mim, não fosse certa previsão e preparação para o caos, o pesadelo teria sido passar uma semana inteira com óleo no cabelo cheirando amendoim queimado, justamente por causa do shirodhara com o qual o Rica tanto relaxou que até apagou. Pago 10.000 lacks pra ver o Rica negando uma massagem ayurvédica feita pela Juliana Paes e mantendo firme a posição de experiência única (na vida) como ele diz. Enfim, eu faria tudo de novo e ainda por mais tempo, mas não recomendaria tratamentos ayurvédicos principalmente como o shirodhara durante um final de semana de baladas e outros compromissos sociais. Demorei pelo menos uma semana para ter o cabelo de volta ao normal e abandonei umas 4 peças de roupa por lá mesmo para não correr o risco de perder a mala inteira cheirando óleo queimado.            

Pri e Ricardo, vocês são uns amores! Obrigada por compartilhar suas percepções e ainda me autorizarem a publicar no blog! São por essas e outras coisas que percebo como tenho sorte na minha vida….sorte de ter amigos assim como vocês que fizeram e que fazem com que minha experiência na Índia seja algo simplesmente único e especial.

E sinto que meu momento ayurvédico está prestes a acontecer…

A Arte de tirar sobrancelhas à moda indiana

Eu sei que este assunto parece meio superficial e os leitores do sexo masculino, só pelo título deste post já devem ter desistido de ler. Mas preciso contar minha primeira experiência em um salão de beleza na Índia. Uma amiga minha indiana nos levou para um salão bem bacana no Khan Market em Delhi. Chegando lá a primeira coisa que reparei foi que não tinha sequer uma manicure mulher, eram todos homens!!! Nem sei se existe o substantivo masculino para manicure…que eu saiba não ou se é a mesma coisa soa super estranho. Estou acostumada a falar: “Não existe ninguém melhor que a minha manicure, a Terezinha”. Agora vou ter que me acostumar: “Por favor, queria marcar manicure e pedicure pra hoje, a mão é com o João e o pé é com o Ricardão!”.

O objetivo de ir ao salão era na verdade pra provar o método indiano de tirar as sobrancelhas. Tínhamos ouvido falar que era uma coisa sensacional e que deixava as sobrancelhas super delineadas e perfeitas, porém sabíamos o método era pouco convencional. Enfim, fomos na cara e na coragem (quem lê pensa que eu estava fazendo algo muito radical). O método é de fato, algo impressionante. Diferentemente do que estamos acostumadas, o método indiano não utiliza nem pinça nem cera. A ferramenta utilizada nada mais é do que duas linhas de algodao entrelaçadas. Eu sei que voce nem deve estar conseguindo visualizar isso se voce nunca viu antes. Mas vou tentar explicar da maneira mais didática possivel. A “depiladora” entrelaça dois fios de algodão e os segura com ambas as mãos. Ela coloca um dos fios na boca e puxa o fio quando quer arrancar um pelo. O que remove o pelo é na verdade a junção dos dois quando puxados de forma rápida e precisa. Entenderam? Imagino que não….Acho que vai ficar mais fácil entender quando olharem a foto abaixo:

M~etodo indiano de tirar sombrancelhas

Essa técnica começou na India faz seculos mas também pode ser encontrada em países no Oriente Médio. No Brasil nunca ouvi falar de algo parecido mas me disseram que já existem alguns salões em Sao Paulo que estao oferecendo o método pra tirar vantagem do boom indiano provocado pela novela das oito, Caminho das Indias.

Eu, como não podia ficar de fora, aproveitei pra provar a tácnica e amei!! Dói bem menos que pinça e cera e a região nem fica vermelha logo depois da remoção. Sem falar que a sobrancelha fica muito mais perfeita e delineada! Agora viciei no método, só falta encontrar alguma depiladora na América do Sul que saiba fazer..

E eu não fui a única a provar a técnicai. A Helen, a inglesa que veio comigo tambem provou o método e se apaixonou. Abaixo ela descreve um pouquinho da sua experiencia:

“A depiladora segura um fio de algodão e enrola ao redor do seu dedo, a outra extremidade na outra mão e agarra o meio com os seus dentes. Por este motivo ela fica bem perto de seu rosto e você deve esticar a pele (testa e pálpebra), caso contrário, ela pode beliscar a sua pele com o fio. Com o fio entre suas mãos, ela desliza por toda a sua pele, movendo a cabeça dela como se ela fosse uma galinha, para frente e para tras, tirando suas sobrancelhas com este movimento. É um pouco doloroso (não tanto como pinça ou cera) e se sente pequenos choques eléctricos nos primeiros poucos segundos. O mesmo método é utilizado no lábio superior e laterais do rosto. As vantagens é de não puxar a camada superficial da pele como a cera e portanto o método é menos doloroso e mais rápido. Ele cria uma boa forma a sobrancelha. Vai ser difícil voltar a cera depois desta experiência, mas, infelizmente, este método não está disponível onde eu moro”.

Se vocês quiserem checar  AO VIVO, assistam o vídeo que as meninas fizeram de mim enquanto a depiladora fazia minhas sobrancelhas:

 

 

 

Mamãe quer que eu case….Casamento arranjado ou por amor? Por favor, deixa que eu escolho!

Casamento indiano (Kshitij Nangia e esposa)

Casamento indiano (Kshitij Nangia e esposa)

Nao tinha duvidas que esse tema uma hora ou outra iria virar tema para o blog. Me inspirei no tema porque semana passada fui no meu primeiro casamento indiano. Eu fui por parte do noivo que trabalhava comigo no escritorio da Evalueserve do Chile e segundo fontes seguras, foi um casamento arranjado.

Para checar as fotos do casamento entre no link:

http://www.facebook.com/album.php?aid=65334&id=517737112&l=efb609bf73

Para a maioria dos ocidentais a idéia de um casamento arranjado é uma coisa impensavel. Imagina so os seus pais escolhendo o marido ideal para voce…os criterios e as prioridades deles sao bem diferente dos nossos e nao quero nem pensar o que os meus pais escolheriam para mim. Ja é dificil minha mae escolher uma roupa que eu goste, quanto mais um marido! Mas essa é a realidade de grande parte dos casamentos na India.

Fiz uma rapida pesquisa com os indianos aqui do escritorio para saber qual era a percepcao deles no que se refere a porcentagem dos casamento indianos que sao arranjados nos dias de hoje. Para minha surpresa a porcentagem variou de 70% a 85% o que é um numero muito alto considerando que a India cada vem mais vem sofrendo influencias ocidentais. No passado cerca de 95% dos casamentos eram arranjados o que nos faz pensar que talvez daqui uns 20 anos mais, a India devera ter cerca de 50% de casamentos arranjados e 50% de casamento por amor. E essa mudanca se deve a diversos fatores tais como: mulher cada vez mais no mercado de trabalho, melhora no nivel educacional, influencias ocidentais, impacto dos filmes bollywoodianos e por ai vai…

Por definicao, casamento arranjado é aquele que acontece sem que os noivos tenham se escolhido de maneira espontanea, natural, ou por amor. Pelo contrario, normalmente sao os pais que se responsabilizam por encontrar o par ideal para sua filha ou filho de acordo com crit érios que para nos ocidentais, soa bem estranho. Ja que na sociedade tradicional Hindu e no sistema de castas nao era permitido essa coisa de ficar e namorar, o casamento arranjado era a unica forma possivel para o casamento. As coisas estao mudando pouco a pouco, mas ainda é muito raro voce encontrar um casalzinho de namorados indianos de maos dadas por ai….Para ser sincera é muito mais facil voce ver homens de maos dadas por todos os lados do que ver um homem e uma mulher fazendo o mesmo…Essa questao de homens abracados e de maos dadas ainda tem que virar tema para post pois é algo que chama muito a atencao por aqui.

Nos dias de hoje…..Como ja disse agora pouco, os casamentos arranjados ainda sao super comuns por aqui mas os criterios mudaram um pouco. Desde que o sistema rigido de castas foi abolido por lei, casamentos arranjados com sub-castas (cada casta tem centenas de subcastas) diferentes e casamentos com pessoas de diferentes cidades e idiomas passaram a acontecer com alguma frequencia. Cada vez mais tambem os casamentos arranjados levam em consideracao a opiniao dos filhos. Algo que aparentemente nao acontecia de maneira nenhuma antes de 1980. Imagina so seus pais dizendo assim: “Filha, semana que vem voce vai casar com um homem que arranjamos pra voce. Ele tel 60 anos, é um homem com uma otima educacao e vem de uma familia respeitada na cidade e é super rico. Ja fizemos a compatibilidade do mapa astral dos dois e tenho certeza que voces vao se dar super bem…as estrelas conspiram a favor.”

Na minha visao brasileira isso soa assustador mas quando curiosamente pergunto para os indianos que conheco vejo que a questao do casamento arranjado é normal. Eles nasceram nesta realidade e vejo que isso nao é tanto um tabu pra eles sabe? E dai que a gente percebe como o mundo possui realidades e pessoas com valores e culturas tao diferentes que vao alem do que imaginamos. O que é certo para alguns, pode ser errado para outros e por ai vai. Dando um exemplo pra me explicar melhor, fico pensando aqui que para a maioria dos brasileiros, o fato de uma pessoa beijar 1, 2, 3, 4, 5, 6, X pessoas na mesma noite em um trio elétrico e a coisa mais normal do mundo certo? Agora imagina so se conto isso para um indiano? Ele vai me olhar com a mesma cara assustada que olhei pra ele quando me contou sobre o casamento arranjado. Isso me leva a concluir que se fosse indiana ao invés de brasileira, provavelmente o tema do casamento arranjado nao seria um tabu tao grande para mim.

Como hoje estou inspirada para escrever, vou entrar mais fundo neste tema e entendo que voces provavelmente nao terao mais paciencia pra ler (tirando meus pais que acham lindo tudo que escrevo,hehehe). Outro ponto importante nessa estoria do casamento é que a familia da mulher deve pagar um dote para a familia do homem. E o valor do dote vai depender é claro, do nivel social do casal. Mas pelo que pude perceber, a familia da mullher economiza pesado desde muito cedo para poder acumular um dote atrativo. A familia do homem por sua vez investe pesado na educacao do filho para torna-lo atraente aos olhos da mulherada. Isso porque um homem indiano com MBA, que ja teve experiencias internacionais, que trabalha em uma importante empresa de IT, tem os requisitos ideais para conseguir uma das melhores indianas da cidade.

Na minha percepcao, o mais complicado aqui é o fato de que um casamento na India é considerado um casamento de familias ao invés de um casamento entre dois individuos. Isso quer dizer que a partir do momento que a mulher se casa ela vai viver com a familia do esposo. Entao alem da mulher indiana ter que lidar com o fato de que esta casando com alguem que nao conhece bem, ela tem que aprender a conviver e viver na mesma casa que o sogro, sogra, cunhada, cachorro, macaco e por ai vai….Nessas horas dou gracas a deus por ter nascido brasileira! Processo seletivo: As complicadas etapas de um casamento (totalmente) arranjado…..

Escolher o par ideal nao é uma tarefa facil para os pais indianos. As etapas do processo seletivo podem ser mais complicadas que o processo seletivo para entrar em uma consultoria estrategica. Abaixo resolvi criar uma tabela pra melhorar comparar a busca pelo marido e emprego ideal. Cabe a voces decidirem o que é mais complicado. Vale ressaltar que as etapas indicadas abaixo podem variar e nao seguem uma regra tao rigida assim.

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Nao vou entrar em detalhes aqui sobre os costumes, tradicoes e siginificados dos rituais do casamento indiano neste post porque ficaria mais longo ainda e acho que este tema também exige um capitulo especial so sobre os preparativos e a festa do casamento em si… Quem sabe uma proxima vez?

Estava aqui pensando comigo mesma que no Brasil, ou talvez em qualquer parte do Mundo, o casamento arranjado deveria ser permitido depois dos trinta sabe? Porque dai voce teria ate os seus 30 anos pra buscar por si so o homem ideal, a tampa da sua panela….Imagina so mulherada, se ate os seus 30 anos voce nao encontrou aquilo que queria voce entao recorre ao plano B que seria o casamento arranjado. Entao toda a preocupacao de encalhar geral , ficar pra titia iria acabar! Chega de preocupacao…seus pais se encarregariam do fardo de encontrar aquele maridao especialmente pra voce! O que acham? Aposto que varias de voces estao pensando: “Uhm, ate que nao seria uma ma ideia…”.

Vish, so tenho mais ou menos 4-5 anos antes de ter que recorrer ao plano B…

 

Vestida para matar em um tipico Saree...heheh

Vestida para matar em um tipico Saree...heheh

Jaipur, a cidade rosa que deveria ser laranja – PARTE II – Jaipur, the pink city which should be orange – PART II

 Ainda não entendi porque Jaipur é conhecida como a cidade rosa. Em minha opinião, se a cidade tivesse que ser conhecida por uma cor, eu daria o nome de cidade laranja, ou cor de pêssego? A cidade toda é pintada da mesma cor, num tom alaranjado desgastado… Acho que o governo proíbe pintar a cidade de outra cor porque perderia o seu tchan turístico porque afinal todo mundo quer conhecer Jaipur, a cidade rosa… na Índia também tem Johdpur, a cidade azul que provavelmente deve ser roxa e por aí vai…

Chegamos em Jaipur à noite e fomos diretos para a guest house que tínhamos reservado. A guest house era uma delícia, super bonitinha, limpinha e confortável….como é bom tomar banho quente e dormir num colchão bom com lençóis sem manchas né? É a velha estória, a gente só valoriza realmente quando fica um tempo sem. Se por acaso algum de vocês for pra Jaipur, a guest  house Bhim Villas é uma boa pedida, recomendo 100%.

Gostei de Jaipur, na verdade senti que estava dentro de um documentário daqueles que retratam a realidade de um país de uma maneira um pouco estereotipada sabe? Estou falando isso porque senti que Jaipur retratava muito a Índia que já tinha lido em livros, assistido na TV e ouvido de amigos que já tinham estado no País.

Mil e uma cores davam vida aos sáris das mulheres e o turbante dos homens de Rajastão. Rickshaws, vacas, bicicletas, camelos carros e elefantes conviviam de alguma maneira no caótico trânsito indiano. Odores desagradáveis ou às vezes insuportáveis penetravam nos narizes desacostumados dos turistas.

Fizemos um tour pela cidade e visitamos os principais pontos turísticos, entre eles o City Palace e o Amer Fort, mas nesse post não estou com a mínima vontade de descrever o local ou a estória desses lugares. Estou com mais vontade de contar das outras coisas que vi por lá, da tentação das mil e uma lojinhas que são simplesmente o paraíso de compras principalmente para as mulheres, do encantador de serpentes, da leitura de mão, da pintura de henna na mão e no braço…

Resolvemos passar à tarde em um lugar que se chama Chokhi Dhani que nada mais é que um complexo que imita um vilarejo em Rajastão então todas as construções das casas, comida, danças e festividades buscam imitar o que seria um típico vilarejo no passado. O lugar apesar de super turístico atrai mais indianos do que gringos….é muito um passeio de domingo para as famílias indianas da classe média. Aproveitei pra fazer todas as atividades disponíveis no local….massagem indiana na cabeça, tatuagem de henna nas mãos e leitura de mão. Pois é, quem me conhece sabe que tenho este meu lado esotérico e adoro este tipo de coisas e a Índia é o lugar ideal pra quem gosta dessas coisas pois é o país que mais leva essa coisa de esoterismo a sério.

Enfim, o expert de leitura de mão não falava inglês então meu chefe serviu como tradutor. Olha que sem noção o cara, a primeira coisa que ele falou é que eu tinha a chance de ter um acidente entre meus 26 aos 28 anos (não se esqueçam que faço 26 anos no dia 30 de abril). Horrível né? Pior era ver a cara do meu chefe assustado falando com o cara em hindu e eu sem entender bulhufas. Para me tranqüilizar falou que eu viveria até depois dos 70 anos. Falou também que tenho basicamente 3 oportunidades pra me casar: aos 26 anos, 28 anos e 33 anos…pelo que eu entendi, se passar dos 33 anos sem casar, já era. Falou também que eu seria famosa e poderia me envolver com política ou algo assim…AH falou também que eu daria certo abrindo o meu próprio negócio e que teria uma lucratividade de 30% (haha fala sério, de onde ele tirou estes 30%?). A última coisa que me lembro de ele ter falado é que eu iria viver bastante tempo fora do meu país. Um total de 12 anos não consecutivos longe do Brasil. Até hoje já estive fora do Brasil por cerca de 2 anos e meio. Se a palma da minha mão souber o que vai acontecer comigo, então isso quer dizer que ainda tenho mais 10 anos (não consecutivos) fora do Brasil…será? É a pergunta que não quer calar…só o futuro poderá dizer…

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Todos se renderam ao esoterismo - leitura de mãoSaree

 

Tatuagem de Henna

Tatuagem de Henna

Saree

(english version – Google translator)

I still do not understand why Jaipur is known as the pink city. In my opinion, if the city had to be known as a color, I would name the city of orange, or peach? The whole city is painted the same color, a tone orange worn … I think the government prohibits the city from another paint color because it would lose its Tchan tour anyway because everybody wants to know Jaipur, the pink city … India also has Johdpur, the city likely to be blue purple and so on …

We arrived in Jaipur in the evening and went directly to the guest house we had booked. The guest house was a delight, super cute, clean and comfortable as it is good …. take hot bath and sleep in a bed with nice sheets without patches right? It is the old story, we just value when it is really a time without. If by chance any of you is at Jaipur, the guest house Bhim Villas is a good thing, I recommend 100%.

And a thousand colorful sarees and turbans Saris gave life to the women and men of Rajasthan. Rickshaws, cows, bicycles, camels and elephants and even cars could be found in the chaotic traffic. Weird smells or sometimes unbearable smells penetrate the unaccustomed noses of tourists.

We took a tour around the town and visit the main sights, including the City Palace and Amer Fort, but in this post I don’t feel like describing those places or their history. I am more willing to write about other things I saw there, like the temptation of a thousand shops that are simply a heaven for women, the snake-charmer, the palm reading, henna painting and things like that…

We spend the afternoon in a place that is called Chokhi Dhani which is a complex that intends to reproduce a village in Rajasthan. All the houses, food, dances and festivals reproduce a typical village in Rajasthan. The place despite its super touristic attractions has more Indian visitors than foreigners…..

 I took almost all the activities available on the place…. Indian head massage, henna on my hands and arms and palm reading. Yeah, who knows me well enough knows that I have my esoteric side and I love these kinds of things and India is the ideal place for because it is the country that takes this thing quite seriously.

The expert palm reading guy did not speak English so my boss helped with the translation. The first thing he said to me is that I have the chance of an accident between 26 to 28 years (since I will turn 26 on April 30 his first comment was quite scary). Sounds horrible right? Worse was to see the frightened face of my boss talking to the guy in Hindu and of course I couldn’t understand a thing. But he assured me that I would have a long life…after 70 years old. He also said mentioned that I have basically 3 opportunities to get married: 26, 28 and 33 years old … so if I don’t get married until 22, I should forget about it…Hehehe. He also said that I have good chances to become famous and could get involved with politics or something … He also pointed out that If I open my own business and the profitability would be around 30% (haha are serious, where did he take the 30% from?).

The last thing I remember he said is that I would live for some time outside my country. A total of 12 non consecutive years far from Brazil. Until today I was out of Brazil for about 2 years. If the palm of my hand knows what will happen to me, that means I still have 10 more years away from my hometown? It is a question that can’t be answer right now … only the future can tell …

 

 

 

Interessados em uma massagem indiana?

Antes de escrever o meu proximo post sobre a segunda parte da viagem que foi em Jaipur senti a necessidade de fazer um intervalo pra postar um texto do Ricardo Gentil, de um outro brasileiro que por incrivel que pareça tambem mora em Gurgaon. Além de brasileiro, ele tambem é de Sao Paulo e também se formou em administracao na Getulio Vargas. Que mundo pequeno nao? E sinto que a cada dia o mundo vai ficando cada vez menor…

Diferentemente de mim que vim por um periodo de 4 a 6 meses, o Ricardo vai ter a uma vivencia mais profunda da India ja que ele deve ficar pors uns 2 anos aqui.

Enfim, ele mandou um e-mail contando sua primeira experiencia de massagem ayurvedica… o e-mail é tao sensacional e engracado que pedi a permissao de postar no meu blog ja que ele nao tem um…O texto tava tao bom que tinha que ser compartilhado com os outros mortais.

Só pra contextualizar o que é exatamente essa massagem e de onde ela veio, estou colando um texto que extrai do site Portal da Massagem: http://www.portalmassagem.com/11357/19503.html.

Teoria: “ A Massagem Ayurvédica, uma das mais tradicionais da Índia, é a terapia complementar associada à Medicina Ayurvédica (corporificada nos Vedas), de raízes milenares na Índia e que engloba todos os aspectos da saúde física, mental e espiritual das pessoas. Esta prática tem seguramente mais de 5.000 anos de aplicação. Ayurveda deriva de duas palavras sânscritas: “Ayur” que significa “Vida” e “Veda” que significa “Conhecimento”, ou seja, significa o “Conhecimento da Vida Humana”. A Massagem Ayurvédica consiste numa técnica de massagem profunda que alia movimentações vigorosas em toda a massa muscular conjuntamente com manobras de tracção e alongamento, além da estimulação de pontos e orgãos vitais (energizando-os se estiverem bloqueados e controlando-os se estiverem hiperactivos). Na Massagem Ayurvédica são usados determinados óleos naturais especiais, aquecidos à temperatura ambiente ou ligeiramente superior, escolhidos de acordo as características psico-físicas de cada pessoa, conforme o respectivo dosha (Vata Dosha, Pitta Dosha ou Kapha Dosha). A prática da Massagem Ayurvédica deve ser realizada sobre um tatami (um pequeno colchão com espessura não superior a 5 cm), colocado no chão e forrado com um lençol. A prática da massagem no chão facilita a realização de todos os movimentos e possibilidades que a massagem oferece, além de não cansar o terapeuta. Após uma sessão de Massagem Ayurvédica, o paciente sente-se com uma sensação de frescura, leveza e tranquilidade, cheio de energia, paz e luz.

Pratica ( o tipo da experiencia unica que um homem so faz quando esta na India):

“Vc nao sabe, hoje fiz a primeira massagem da minha vida!! Foi super esquisito, um homem passando a mao em mim todo, argh, nojento… E ainda mais com um monte de oleo…. Nossa, ja tomei uns 3 banhos e to todo melecado ainda!!! Vc nao tem ideia, comecou que entrei na sala do cara e ele mandou eu tirar toda roupa!! Eu que ja nao gosto de homem passando a mao em mim, fiquei imaginando ele passando a mao na minha bunda ou pior ainda perto do meninao!! Adivinha, fiquei de cueca e mesmo ele insistindo nao tirei nem por um katzo!! Dai comecou o tormento, passa a mao daqui, passa de la, passa de novo daqui, enfim aquele passa ou repassa que nem gugu liberato ou celso portioli aguentariam… Eu tava parecendo aqueles frangos de padaria, virava pra um lado e botava oleo, virava pro outro e tchatcha mais oleo, de costas e mais oleo, de frente e joga oleo no meninao!! Meu deus, eu pensava, da onde esse moco tira todo esse eleo quente?? Ah, importante a porra do oleo era quente e tinha cheiro de gergelim com ervas, ou seja, de frango de padaria, ja tava quase sendo servido ali mesmo, pronto pro abate!!! Enfim, calma que nao acabou, depois de todo esse vira-vira, passa e repassa, o cara bota uma venda nos meus olhos e comeca a jogar um liquido na minha testa, ou como eles falam, no meu terceiro olho!! Dai, nao sei como, nao sei porque e nao sei exatamente quando, apaguei!! Isso mesmo dormi de repente!! Foi muito louco!!! Quando acordei, o cara mandou eu sentar na maca, tava tao cheio de oleo que a minha bunda nao sentava escorregava pra um lado e pro outro, sambando!! Depois ele me colocou dentro de uma mini sauna que so ficava com a cabeca pra fora… Eu que nao gosto de sauna e me irrito passando muito calor, fiquei la dentro 5 min, quando deveria ter ficado 20, mas faz parte, sou assim mesmo!! Depois de tudo isso, quando eu ja nao aguentava mais, queria ir embora e tava de saco cheio, o cara cisma de passar um po no meu corpo dizendo que neutraliza o oleo todo!!! Adivinha, nao aguentei desencanei do po e fui embora correndo daquela sala de tortura!! Eh essa foi minha experiencia ayruvedica!!”

Estranha esta estória do Ricardo ter apagado no meio da massagem ne? Acho que o indianinho tinha segundas intencoes..hahaa….lógico que o Ricardo nao gostou nada quando falei isso ne? O indiano é o unico que sabe o que rolou naquela maca enquanto o Ricardo estava apagado por alguns minutos…haha Brincadeira viu? Quem me conhece sabe que adoro tirar uma onda dos outros e de mim.

Agora eu estou curiosa para saber como vai ser a minha experiencia na massagem ayurvedica…preciso da percepcao de uma mulher ja que homens nao estao acostumados com essa estoria de massagem. A Priscila, uma brasileira gente finissma que conheci na India est á prestes a experiemntar…Vou ver se insisto pra ela escrever como foi e dai posto aqui no blog…. Por hoje é so…fui.

De tudo um pouco na primeira viagem em um país onde tudo pode acontecer – PARTE I / A bit of everything on the first trip in a country where anything can happen – PART I

Começando pelo fim – Antes de começar a contar da minha primeira viagem por aqui senti a necessidade de compartir com vocês o que aconteceu as 11 horas da noite, quando cheguei ao meu apartamento depois de três longos e intensos dias de viagem. A única coisa que queria era tomar aquele banho gostoso, ouvir uma música, baixar as fotos da viagem e entrar na internet pra conversar um pouco com a minha família e amigos pra botar o papo em dia e contar um pouco da viagem… Parece simples né? Pois é, não é. Quando chegamos em casa percebemos que não tinha eletricidade e pra melhorar, por causa de um curto circuito ou algo assim, TODAS as luzes do apê tinham queimado, todas mesmo. Nenhuma das tomadas estava funcionando, o microondas, a maquina de lavar roupas e o aparelho da internet também tinham ido pro saco. Sem eletricidade, não podia tomar banho quente e daí pensei: “Puxa, vou esquentar água no fogão e tomar banho de balde né?” Daí lembrei que o forno também é elétrico e o único jeito de esquentar água seria usando a boca de fogão a gás. Daí lembrei também que o botijão de gás estava com vazamento e não dava pra usar porque podia ser perigoso. Moral da estória: lavei minha cabeça na pia com água gelada e depois só passei uma água no corpo, um banho bem de gato vira-lata mesmo. Cest La vie…São por essas e outras que você cai na real e se lembra que está na Índia. Daí o jeito é entrar no clima e cair na risada. Coisa que vocês também devem estar fazendo ao ler isso aqui.

E a viagem começa na sexta-feira à noite (23/01/2009) – A turminha multicultural era composta de 5 pessoas: Eu (Brasil), Helen (Inglaterra), Paul (Índia), Pablo (Chile) e Saeb (Jordânia).

Como na segunda seria feriado nacional da Índia em comemoração ao dia da República, aproveitamos para viajar no final de semana prolongado. Decidimos jogar seguro e começar pelo básico. E quando eu falo em básico, estou falando do principal ponto turístico do país, o destino mais visitado dos viajantes à Índia: o Taj Mahal, que fica na cidade de Agra. Aproveitamos também para conhecer Jaipur que é a principal cidade do estado de Rajastão e é conhecida como a cidade rosa. Tanto Agra como Rajastão ficam a 4-5 horas de Delhi e Gurgaon, o que é bem perto considerando a imensidão deste país, onde a maioria dos destinos demoram no mínimo 10 horas de viagem de trem ou carro.

Como organizamos tudo de última hora acabamos pegando um hotel super xexelento em Agra pela pechincha de 400 rupias pelo quarto (quatro dólares por pessoa). É aquele esquemão sabe, só pra dormir mesmo e olhe lá…o lençol cheio de manchas amarelas que nem procurei investigar de onde vieram, o banheiro fedia e não tinha água. Enfim, como estava muito cansada dormi que nem pedra.

Acordamos cedo pela manhã e enquanto o Saeb se arriscava comendo o café da manhã do “hotel” , eu aproveitei para sentar perto do muro, na laje do local para ler o Lonely Planet, a bíblia dos viajantes. Enquanto isso a Helen estava comentando que ela tinha lido que os macacos são o segundo animal mais perigoso que você pode encontrar nas ruas da Índia. E as instruções dadas pela minha chefe indiana Ekta eram clara: “Se encontrarem um macaco o mais importante é que mantenham a calma, escondam qualquer tipo de comida e saiam de fininho”. Eis que eu, totalmente distraída com a leitura, viro para o meu lado esquerdo e simplesmente me deparo com um macaco gigante em pé no muro, a cerca de 10 centímetros de distância de mim. Tive a reação mais bizarra do mundo, sem pensar, como se tivesse visto uma cobra preparando o bote,pulei da cadeira e saí correndo e acabei tropeçado e deixando o livro cair no chão. Foi muito engraçado porque não imaginei que iria ter essa reação e fiz tudo o que não era recomendado fazer em relação aos macacos.

A cereja do bolo: Taj Mahal – Claro que sempre tive vontade de conhecer o Taj Mahal. Existem alguns pontos turísticos em cada país que acabam atraindo mais a atenção do que os demais lugares. É aquela coisa, quem vai pra França e não conhece a Torre Eiffel? O Coliseu na Itália? O Machu Pichu no Peru? As Pirâmides no Egito? O Cristo Redentor no Brasil? E por aí vai. Conhecer o Taj Mahal é quase uma obrigação quando você tem a oportunidade de conhecer a Índia. Alguns podem dizer que nem vale tanto a pena assim, que o lugar já está muito comercial e que é quase impossível você tirar uma foto sem que um americano de pochete, calça caqui e bochechas vermelhas apareça na foto, tapando boa parte do Taj Mahal. Não tenha dúvidas de que boa parte disso é verdade, mas apesar disso não é difícil entender porque o Taj Mahal é considerado o monumento mais famoso da Índia e classificado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

 

 

 

Senta que lá vem a estóriaO Taj começou a ser construído em 1630 e demorou mais ou menos 22 anos pra ficar pronto. O imperador trouxe para Agra cerca de 22 mil homens de várias cidades do Oriente só pra trabalhar no gigantesco mausoléu de mármore branco contendo inscrições retiradas do Corão, o livro sagrado do Islamismo. O monumento todo é incrustado com pedras semipreciosas e  sua cúpula é costurada com fios de ouro. Não satisfeito o bastante, o imperador também queria  que construissem  para ele uma réplica do Taj Mahal em mármore preto, mas seus planos foram por água abaixo pois foi deposto antes do início das obras por um de seus filhos.

E o mais interessante de tudo isso é que o Taj Mahal é na verdade um mausoléu que foi construído a pedido do imperador Shah Jahan em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, apelidada por ele como Mumtaz Mahal (“A jóia do palácio”).  O Taj Mahal foi construído sobre o túmulo da princesa  que morreu após dar à luz ao seu 14º filho…se 14 filhos por mulher era a média daquela época agora tá explicado porque a Índia tem uma população de mais de 1 bilhão de pessoas…

Brincadeiras à parte esta estória verídica é romantismo puro né? Não é a toa que o Taj Mahal tenha ficado conhecido como a maior prova de amor do mundo. O cantor brasileiro Jorge Bem Jor, explorou a história em uma das suas mais conhecidas músicas, chamada nada mais nada menos que Taj Mahal.

Foi a mais linda
História de amor
Que me contaram
E agora eu vou contar
Do amor do príncipe
Shah-Jehan pela princesa
Mumtaz Mahal
Do amor do príncipe
Shah-Jehan pela princesa
Mumtaz Mahal…
Tê Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê, Têtêretê
Tê Tê…
 
 Ainda no mesmo dia aproveitamos para conhecer outros dois monumentos:

Forte de Agra: É o Forte mais importante na Índia e que na verdade é uma cidade-palácio fortificada. Grandes imperadores mongols viveram lá e era deste forte que eles governavam o país. Achei super interessante o lugar e particularmente achei Lino ver como a cor avermelhada da arquitetura contrastava com o céu super azul do dia.

 

 

Fatehpur Sikri: É uma cidade abandonada com aproximadamente 500 anos e que ainda permanece em ótimo estado de conservação. Foi construída no século XVI e apenas catorze anos depois da sua construção ela foi abandonada por falta de água…se um imperador tinha problemas com falta de água, imagina o resto dos pobres mortais? O lugar tinha uma vibe diferente…dava uma sensação de tranquilidade e vontade de simplesmente relaxar.

Forte de Agra

Forte de Agra

 

 

 

 

Na cidade abandonada

 Se vocês quiserem checar mais fotos desses lugares que conheci na ciade de Agra e redondezas abram o link: http://www.facebook.com/album.php?aid=60914&id=517737112&l=3e05d1d1dc

Esse post já está ficando longo demais e imagino que metade de vocês não tenham tido paciência suficiente para ler até o final. Então eu vou saindo de fininho…logo mais vou ver se me inspiro para escrever um Post sobre a  Parte II da viagem na cidade de Jaipur.

 

 

 

 

 

 

If you want to check more photos of those places I knew in ciade of Agra and nearby open the link: http://www.facebook.com/album.php?aid=60914&id=517737112&l=3e05d1d1dc

(English version = Google translator)

Starting from the end – before writing about my first trip here I felt the need to share with you what happened at 11pm after three days of long and intense journey. The only thing I wanted was to take a nice bath, listening to a song, download the photos of the trip and surf on the Internet for a little chat with my family and friends to catch up and tell a bit of  the travel … Sounds simple right? Yeah, but it is not. When we arrived at home we realized we had no electricity because a short circuit or something, all the bulbs had busted. None of the eletronic appliances were working, the microwave, washing of the machine and Internet were gone. Without electricity, I could not take a hot bath and then I thought: “Oh, I can get heat water on the stove and then take a bucket bath!” Since the oven was electric and the only other way to heat was thrue a gas stove but the gas was leaking and I did not use because it could be dangerous. End of the story: I washed my hair in the sink with cold water. Cest la vie … these sort of things help me to remember that I am in India. The only solution is to relax and laugh at the situation. Thing you should also be doing while you read it this post.

And the journey begins on Friday night (23/01/2009) – The multicultural groupconsisted of 5 people: I (Brazil), Helen (England), Paul (India), Pablo (Chile) and Saeb (Jordan ).

Since monday would be India’s national holiday to celebrate the Republic day, we decided to travel in the long weekend. We decided to play safe and start with the basics. And when I speak abour basic, I’m talking about the main touristic place, the most visited destination for travelers to India: the Taj Mahal, located in the city of Agra. We also visited Jaipur, the main city of the state of Rajasthan and known as the pink city. Both Agra and Rajasthan are 4-5 hours from Delhi and Gurgaon, which is very close considering the immensity of this country, where most of the destinations take at least 10 hours of travel by train or car.

How to organize everything at the last minute just getting a hotel in Agra xexelento super bargain for the room of 400 rupees (four dollars per person). That esquemão know, just to sleep and even look over there … the water full of yellow spots that neither tried to investigate where they came from, fedia the bathroom and had no water. Finally, as was too tired to sleep or rock.

I woke up early in the morning and while Saeb was eating the breakfast of the hotel, “I decided to sit near the wall, to read the Lonely Planet, the bible of travelers. Meanwhile, Helen was saying that she had read that the monkeys are the second most dangerous animal that you can find on the streets of India. And the instructions given by Ekta, my Indian boss, was clear: “If you are very close to a monkey the most important is to be the calm, and hide any kind of food you might have on your hands.” I was totally distracted with the reading when I turn to my left and I just saw a giant monkey standing on the wall, about 10 centimeters away from me. I had the most bizarre reaction of the world, without thinking I jumped from the chair and I ran, I stumbled and let the book fall to the ground. It was very funny because I never thought I would have this reaction.

The cherry of the cake: Taj Mahal – Of course I always wanted to visit the Taj Mahal. There are few sights in each country that eventually attract more attention than the other places. It is like if you go to France and does not visit the Eiffel Tower? The Colosseum in Italy? The Machu Pichu in Peru? The Pyramids in Egypt? The Christ Redeemer in Brazil? And so on. To visit the Taj Mahal is almost an obligation when you have the opportunity to come to India. Some may say that is not much worthy because the place is very commercial I have no doubt that a good part of this is true, but nevertheless it is not difficult to understand why the Taj Mahal is considered the most famous monument of India and classified as World Heritage by UNESCO.

Sit because the story is about to star – The Taj started being built in 1630 and took more or less for 22 years to be completed. The Emperor brought to Agra about 22 thousand men in several cities in the  Orient just to work on the giant white marble mausoleum containing entries drawn from the Koran, the sacred book of Islam. The entire monument is inlaid with semiprecious stones and its dome is sewn with gold threads. Not happy enough, the emperor also wanted him to build a replica of the Taj Mahal in black marble, but their plans have gone down the toilet because she was deposed before the start of work by one of their children.

And the most interesting of all this is that the Taj Mahal is actually a mausoleum that was built at the request of the emperor Shah Jahan in memory of his favorite wife, Aryumand Banu Begam, dubbed by him as Mumtaz Mahal ( “The jewel of the palace” ). The Taj Mahal was built on the tomb of the princess who died after giving birth to their 14th child … if 14 children per woman was the average time now I it makes sense that India has a population of more than 1 billion people. ..

Thi true story is so romantic right? There is why the Taj Mahal is also known as the best proof of love in the world. The Brazilian singer Jorge Bem Jor, explored the story in one of his best known songs, called nothing less than Taj Mahal.

It was the most beautiful

Love story

Told me that

And now I will tell

The prince of love

Shah Jehan, the princess

Mumtaz Mahal

The prince of love

Shah Jehan, the princess

Mumtaz Mahal …

 

Têtêretê

Têtêretê

Têtêretê

Have you …

On the same day we visied two other known monuments:

Fort of Agra: It is the most important fort in India and that is really a city-fortified palace. Great Mongols emperors lived and there was this strong that they govern the country. I found interesting over the place and found it particularly Lino see red as the color of architecture contrasted with the blue sky over the day.

  Fatehpur Sikri: It is an abandoned city with approximately 500 years and still remains in excellent state of preservation. It was built in the sixteenth century and only fourteen years after its construction it was abandoned for lack of water … if an emperor had problems with lack of water, imagine the rest of the poor mortals? The place had a different vibe … was a sense of peace and desire to simply relax.

 

This post is already getting too long and I imagine that half of you have not had enough patience to read to the end. So I’ll mosey out to … see if I will soon inspired me to write a Post on Part II of the journey in the city of Jaipur.

 

A cereja do bolo

A cereja do bolo

19/01/09 – Qual é a única lei que realmente funciona na Índia? – What is the only law that really works in India?

(versão em português)

Acho que nem preciso dizer que é a Lei de Murphy. E não é que esta lei não funcione bem em qualquer lugar do mundo, mas aqui na Índia ela parece ter encontrado o lugar perfeito para viver “feliz para sempre”. E se você for parar pra pensar não é difícil entender o porquê da força da Lei de Murphy neste país. Faz só 2 semanas que cheguei aqui e muita gente pode pensar que é muito pouco tempo para ter uma opinião embasada sobre algo. Concordo. Quero deixar claro que minhas palavras nada são apenas minhas primeiras impressões destas duas semanas por aqui.

Primeiro vou contar do evento “celular”. É isso mesmo, praticamente foi um parto pra consegui ter uma conta de celular por aqui. Depois de assinar uma papelada gigante, comprovante disso, Xerox daquilo, milhões de assinaturas e ainda assim duas semanas esperando para o celular ser ativado. E o pior é que todos os dias o cara da operadora Airtel, o famoso Surrender Singh, ficava me dizendo: “Marrrriana, seu celular vai ser ativado em duas horrrras, eu prometo”. Depois eu percebi que na verdade o filho da mãe do cara da Aiertel ta me enganando….

Alguns dias atrás…..Ontem ele falou que o celular estaria ativado por volta das 21horas…tentei ligar e nada. Hoje liguei pra ele de manha e ele falou que as 15horas estaria ativado. Tentei ligar e nada. Dai liguei pro celular dele e ele teve a cara de pau de fingir que nao era ele no telefone, que o Surrender com quem eu precisava falar não estava. ..hahah ele só pode estar de brincadeira. Falei assim: “Pára de me enganar que sei que estou falando com você Surrender”…e ele: “Marrrrrriana, as 17horas  vai estar ativado”.  Não é possível!!!! Mandei um indiano falar com o cara e ele postergou ainda mais, disse que amanha estaria ativado. Ou seja, estou totalmente sem comunicação.

Sabe um insight que acabei de ter é que normalmente os indianos preferem mentir ao invés de dar uma má notícia, eles prometem o que não podem. Ao invés de o cara ser honesto comigo e falar, “olha só, vai demorar 2 dias pra ativar o seu celular”, ele prefere ficar mentindo  e ficar me enrolando achando que isso vai ter um impacto melhor entende? E isso acontece  com os taxistas que atrasam e sempre falam que vão chegar em mais 5 minutos, e também acontece no mundo corporativo também…quantas vezes vi alguns indianos da minha empresa prometendo  o que não podiam cumprir para o cliente ou se comprometendo com umas deadlines impossíveis simplesmente porque eles não conseguem falar NÃO. E no final essa falta de transparência acaba criando expectativas falsas, o que acaba tendo num efeito pior no final.

Voltando a Lei de Murphy…neste sábado (ainda sem celular) fomos para Delhi para passear e aproveitar pra conhecer a cidade. Aproveitamos para procurar uma loja para carregar o celular pré-pago que a Helen estava usando (ela tinha ficado com um celular da empresa, o único disponível). Carregamos o celular com uma grana e depois de 3 minutos os nossos celulares foram ativados pela Airtel. Depois de 3 minutos que tínhamos decidido carregar o celular porque já tínhamos perdido as esperanças de ter o celular ativado. Tá vendo…lei de Murphy…

A Lei de Muphy também deu as caras nesta semana. Como já devo ter comentado pra vocês, a infra-estrutura da Índia não é das melhores. Todo o dia falta energia no meu apartamento. Não me lembro de nenhum dia até hoje que não tenha faltado a luz. Enfim, à noite tomei banho e lavei meu cabelo. Estava me arrumando para sair pra jantar em um restaurante super chique em Delhi. E quando fui secar meu cabelo acabou a luz total. E eu com o cabelo meio molhado pedindo a ajuda de um secador pra dar um jeito na Juba…e nada. Quando pisei o pé pra fora de casa para pegar o táxi, a energia voltou. Sem brincadeira, é ou não é mais um indício de que a Lei de Murphy funciona como nunca aqui?

E eu acabo por aqui hoje.

(english version – Google translator)

19/01/09 – 14/01/09 – What is the only law that works in India?

I think I don’t need to say that is Murphy’s Law. It is not that this law does not work well anywhere in the world, but here in India it seems to have found the perfect place to live “happily ever after.” And if you start thinking about it is not difficult to understand why the strength of Murphy’s Law in this country. It is only my second week here and many people may think that is very little time to have an opinion based on something. I agree. I want to make clear that my words are only my first impressions of these two weeks here.
First I will tell the “mobile” story. That’s right; it was hell to get a mobile account here. After you sign a giant paper, get a resident proof, millions of signatures, I still had to wait a long time until the phone was activated. And the worst thing is that every day the guy from the Airtel mobile company, the famous Surrender Singh, was telling me: “Marrrriana, your phone will be activated in two hoursss, I promise.” Then I realized that the guy was kidding me ….
A few days ago ….. Yesterday he said that the phone would be activated around 21pm … and nothing. Today I called him in the morning and he said that at 15pm would be activated. I tried to connect and nothing. So I called him again and he pretend that he was not on the phone, that the Surrender with whom I need to speak was not there. hahah .. it can only be a joke. I said: “Stop fooling me coz I  know that I’m talking to you Surrender” … and he said “Marrrrrriana, at 5pm it will be activated.” No way!  
You know an insight that I have is that the Indians usually prefer to lie rather than give bad news, they promise what they sometimes promise what they cannot cannot do. Rather than be honest with me and say, “just look, it will take 2 days for your phone to be on,” he prefers to lie coz he thinks  that this will have a better impact, do you understand? And the same thing happens with the taxi drivers who always promise they will arrive in 5 more minutes, and also happens in the business world also … how many times I’ve seen some of the Indians in my company making promises to the client that they could not meet simply because they couldn’t say NO. In the end this lack of transparency creates false expectations, which ends up to have a worse effect.
Going back to the Murphy ’s Law … Last Saturday (still without cell) we went to Delhi to take a walk and to get to know the city. We look for a store to charge the pre-paid phone that Helen was using (she had a mobile from the company, the only available). We charge the phone and after 3 minutes our mobiles were activated by Airtel. Just 3 minutes after we had decided to charge the phone because we had already lost the hopes of having the phone activated. You see … Murphy’s Law…
The Murphy’s Law also show up this week. As I have already commented to you, the infrastructure of India is not the best. There is lack energy all day in my apartment. I don’t remember of one day so far that we didn’t face problems with the electricity. After work I took a shower and washed my hair. I was getting ready to go for a dinner at a fancy restaurant in Delhi. And when I about to start drying my hair there was the power cut again. When I step out of the house to get the taxi, the energy came back. Isn’t another indication that Murphy’s Law works here quite well?
And I end up here today.

 

 

16/01/09 – Lohri: Festival da fogueira – Lohri: a festival to worship fire

(versão em português)

16/01/09 – 14/01/09 – Lohri: Festival da fogueira

Esta semana fui para uma festa em Gurgaon para celebrar o festival de Lohri. Lohri  é comemorado todos os anos no dia 13 janeiro. É um festival de culto ao fogo para comemorar a colheita e é celebrado com grande pompa no Norte Índia (Punjab). Lohri é muito importante para o recém-casados e os bebês recém-nascidos, uma vez que marca a fertilidade. À noite, pessoas se reúnem à volta da fogueira e jogam amendoins, milho e arroz nas chamas da fogueira. Orações são oferecidas para a fogueira a procura de abundância e prosperidade. Todos dançam e cantam canções folclóricas tradicionais.

Um cara da AIESEC Brasil que também ta trabalhando na Índia me chamou pra ir lá já que a festa iria ser em Gurgaon mesmo. Em menos de 2 semanas morando na Índia já encontrei diversos brasileiros perdidos por aí. É amigo de amigo de fulano que passa o contato por e-mail e por aí vai. Na cara de pau mesmo já conheci vários brasileiros por aí. Um deles, o Ricardo, por incrível que pareça também fez GV e vai morar na Índia por uns 2 anos. Ontem saí pra jantar com ele e com uma turma de brasileiros em um restaurante (Epicentre) super gostoso por aqui com comida mais internacional.  Fui logo pedindo um medalhão de cordeiro pois já estava DESESPERADA por um pouco de proteína. Não sei se já contei pra vocês que a comida do escritório é 100% vegetariana e como o prédio fica no meio do nada, não existem outras opções disponíveis. Quer dizer, posso levar o famoso marmitex pro escritório mas sinceramente não sei o que é pior, a comida da cafeteria ou a minha…rsrsrs. Fiquei impressionada num dia desses quando, lá por volta das 20hs decidi preparar aquele nissim miojo especial sabor galinha…meu deus, era super apimentado! Welcome to India!haha

Voltando para a estória da festa em comemoração a Lohri….os indianos estavam quase que possuídos dançando em volta da fogueira, como já disse antes os indianos AMAM dançar, principalmente os homens eu diria. Depois chegaram dois caras com tambores tocando uma batucada que me lembrou um pouco da batucada de carnaval sabe? Até dei uma sambada pra sentir o ritmo…brasileiro é fogo, quando está fora do Brasil qualquer batucada num tambor já lembra samba né? Olhem só o vídeo que gravei:

Hoje é sexta-feira e eu não trabalho. É isso mesmo, de agora em diante os meus finais de semana vão ser nas sexta e sábado pois como estamos estudando o mercado do Oriente Médio teremos que seguir os mesmos dias de trabalho de lá. E para a maioria dos países árabes, domingo não é dia de descanso afinal Alah, diferentemente de Deus, não descansou no sétimo dia. Enfim, o fato de termos este final de semana em dias estranhos vai ser ruim porque não vou poder viajar com todos os outros estrangeiros que não trabalham de domingo. Pelo menos a Helen e o Pablo estão comigo nessa.

O Pablo está chegando hoje na Índia para completar o nosso time!

(english version)

This week I went to a party in Gurgaon to celebrate the festival of Lohri. Lohri, is celebrated every year on 13th of January. It is a festival to worship fire. Lohri Festival is celebrated with great pomp in North India. At this time Earth starts moving towards the sun marking the auspicious period of Uttarayan. First Lohri is very important for the newly wed and the new born babies as it marks fertility. At night, people gather around the bonfire and throw til, puffed rice & popcorns into the flames of the bonfire. Prayers are offered to the bonfire seeking abundance & prosperity. People make merry by dancing & singing traditional folk songs.

A Brazilian guy from AIESEC that is also working in India invited me to go there since the party would be in Gurgaon. In less than 2 weeks living in India I have met several Brazilians around here. It is always like a  friend of a friend of a guy who gives me the contact by e-mail and so on. One of the guys, Ricardo, studied in the same university (FGV) and he will live in India for a 2 years. Yesterday I went  for dinner with him and a group of Brazilians in a restaurant (Epicenter)with super tasty international food. I ordered a lamb medallion because I was desperate for some protein. I do not know if already told you that the food from the office is 100% vegetarian and since the building is in the middle of nowhere, there are no other options available. I mean, I can take the homemade food but frankly I do not know what is worse, the food of the cafeteria or mine … heheh.

Returning to the story of the Lohri festival …. Indians were seemd to be possessed  dancing around the bondfire, as I said before the Indians love to dance, mostly men I would say. Then two guys start playing drums which reminded me a little of the carnival drums you know? So I even dance some samba

Look the video I recorded:

http://video.google.com/videoplay?docid=-7080389978113788429

Today is Friday and I do not work. That’s right, from now on my weekends  will be on Friday and Saturday because since we are studying the market in the Middle East we will have to follow the same business days from there. And for most Arab countries, Sunday is not a day to rest after all Alah, unlike God, didn’t rest on the seventh day. The fact that we are taking these weird weekends is annoying because I won’t be able to travel with all the other foreigners who do not work on Sunday. At least I can count on Helen and Pablo. Actually Pablo is arriving today in India to complement our team!

12/01/09 – Para aqueles que pensam que não existe vida noturna na Índia… – For those who think that there is no nightlife in India …..

Muita gente comentou comigo antes de eu vir pra India: “Putz, a Mari vai voltar totalmente diferente depois da Índia, só comendo comida vegetariana, fazendo Ioga, budista e com a cabeça raspada, sem tomar nenhuma cervejinha em 5 meses, sem baladas,toda esotérica”. E por aí vai….ouvi de tudo antes da minha partida e quer saber de uma coisa? Acho que vocês estão enganadíssimos…não é que eu não vou voltar diferente e tal, lógico que vou…nesses poucos dias já deu pra perceber que a Índia muda você de alguma forma, não tem jeito. Mas tocando no assunto de vida noturna não acho que vai ser tão ruim assim. Quem veio de um ano de Chile (repleto de regeatton e homens baixinhos com mullets querendo dançar ao estilo de baile funk carioca), acho que as baladinhas aqui não são assim de todo o mal.

Bom, na quinta que eu cheguei saí com alguns estrangeiros que trabalham na EVS para um bar em Delhi. Parece que toda a quinta-feira rola uma noite para Expatriados na Índia num bar que chama Urban Pine. Depois de umas 2 horas de transito de trajeto Gurgaon – Delhi (detalhe: são 40kms de distancia, o que não quer dizer nada diante do transito caótico na Índia…e eu que achava que o trânsito de São Paulo era ruim….)…enfim o tema trânsito é tão caótico e interessante que merece um post próprio, e não vai ser hoje que vou falar sobre isso porque afinal de contas o tema agora é balada.

Então, chegamos lá umas 10pm (contratamos um taxi por 8 horas por 16 dólares, vocês estão entendendo isso? 16 dólares por 8 horas de taxi!!! Impressionante). O lugar é super legal , com três andares e diferentes ambientes e música boa, uma coisa meio lounge e mais tarde da noite música eletrônica com uma pegada mais indiana de background. E a galera que freqüenta é bem interessante, ou seja, tem centenas de gringos (alguns de alta qualidade) do mundo inteiro que foram expatriados pra Índia. Já conheci uma galera legal da EVS Índia nesse dia. Nesse dia a balada foi mais um esquema bolha sabe? Monte de estrangeiros (raramente você via um indiano na balada), pagando relativamente caro para os padrões Índia pra entrar na balada (16 dólares open bar)…batendo papo sobre a Índia muito mais de um ponto de vista ocidentalizado…é um lado legal  que quero explorar mas também quero conhecer a Índia e também a vida noturna indiana de um ponto de vista de dentro pra fora, ou seja, saindo com uma turma de indianos…e é isso o que aconteceu na sexta-feira.

Saí com o pessoal do meu time aqui da empresa para um bar chamado Mojo,que fica dentro de um dos milhares Shopping Centers aqui de Gurgaon, aliás praticamente 99% dos bares, restaurantes e discotecas ficam dentro dos shoppings, loucura né? Enfim, só sei que foi super legal. Só tinha eu, a inglesa e o cara da Jordânia de estrangeiros, o resto da galera era toda de indianos. Checa a turminha nas fotos abaixo: 

Na pista de dança ao som de músicas de bollywood - On the dance floor listening to bollywood songs

Na pista de dança ao som de músicas de bollywood - On the dance floor listening to bollywood songs

 

 Meu time da EVS India - My team from EVS India

Se tem uma coisa que os indianos gostam de fazer é dançar. Eles são muito empolgados pra dançar e não deixam ninguém ficar parado. E o mais legal é que eles não precisam de uma gota de álcool pra isso. Tem alguns homens que até bebem sim mas é muito raro você ver uma mulher indiana bebendo. Ainda bem que eu não sou indiana!! Hahaha… Só sei que foi uma noite muito legal e engraçada…já comecei a aprender a dançar ao estilo bollywood, em que as mulheres levantam os ombros pra cima muito rapidinho e ficam mexendo as mãos de um lado para o outro. Na verdade é difícil explicar como é que elas dançam mas é super bonitinho. E você ainda tem que fazer caras e bocas quando vai dançar isso…tem que fazer cara de comportadinha, de tímida, mas tem que mover o ombro e rebolar bastante…contraditório não??? Quando eu tiver um tempo faço um vídeo exclusivo para vocês verem….vou até procurar umas aulinhas pra me profissionalizar. Daí quando voltar para o Brasil posso ganhar uns trocados ensinando a mulherada a dançar bollywood dance…

No sábado teve balada de novo (3 na mesma noite). Fomos com um pessoal do escritório da EVS Chile que tá por aqui e mais um indiano com pinta de playboy….hahah…O cara era extremamente esnobe e babaca sabe? Ele ficava falando assim: “Meu pai é envolvido em política e somos uma das famílias mais influentes em Gurgaon…temos mais de 7 carros na minha casa e fica difícil ter espaço na garagem, e comigo vocês também são VIP”….e no final foi verdade, não pagamos nada pra entrar nem pra beber…foi engraçado ver que playboys babacas existem em qualquer parte do mundo. Gente que acha que pelo fato de ter grana, não precisa cumprir nenhuma regra, tipo o cara se acha acima da LEI e o que me deixou impressionada era o jeito que ele tratava os outros indianos (garçom, motorista…) de uma maneira muito arrogante, como se eles não valessem nada sabe? Péssimo mesmo.

Uma das três baladas que fomos naquele sábado - One of the three clubs we went on that Saturday

Uma das três baladas que fomos naquele sábado - One of the three clubs we went on that Saturday

 

 (english version – Google translator)

Many people said to me before I came to India: “Well, Mari will be totally different when she leaves India, eating only vegetarian food, doing yoga, Buddhist and scraped his head, without taking any beer in 5 months without nightlife, all esoteric. ” And so on …. I heard everything before my departure and do you want to know something? I think you are wrong … is not that I am not going to change  … I already realized that India will change me in some way, there is no doubt. Moving back to the subject of nightlife I dont think it will be that bad. Who has a year of Chile (regeatton full of men with mullets wanting to dance ballroom-style funk carioca), I think the clubs here are not of all bad.
Well, I went out Thursday with some foreigners working in the EVS to a bar in Delhi. It seems that every Thursday night there is an Expatriates night in this bar called Urban Pine. After about 2 hours of traffic jam on the route Gurgaon – Delhi (detail: only 40kms distance … and I thought that the traffic of São Paulo was bad … …. the traffic issue is so chaotic and interesting that deserves its own post, and will not be today that I will talk about it because after all, the issue now is nightlife.
We arrived at 10pm (we hire a taxi for 8 hours for USD 16, do you get it? $ 16 for 8 hours of taxi! Impressive). The place is super cool, with three floors and different environments and good music, a lounge music in indian style. And everybody who attends is very interesting, there are hundreds of gringos (some of them are  high quality) of the world for expatriates who have been India. That day the club was more like a bubble, do you know what i mean? Lot of foreigners (you rarely see an indian there) , paying a relatively expensive price to the indian standards ($ 16 open bar) … chatting on India much more from a Westernized point of view … from one hand I like that but also I want to know India and the night life of an Indian point of view from the inside out, going out with indian… and that is exactly what happened on Friday .

I went out with my team in the company here to a bar called Mojo, which is within one of the thousands of Gurgaon shopping malls here, in fact almost 99% of bars, restaurants and nightclubs are inside the shopping malls, crazy huh? Anyway, I just know it was super nice. Helen (british), Saeb (jordanian) and me were the only foreigners, the rest of the group was all indians. 

 

On Saturday i went clubbing again(3 clubs in one night). We went with a some people from EVS Chile here and an Indian playboy …. hahah … The guy was very snobbish? He was talking like this: “My father is involved in politics and we are one of the most influential families in Gurgaon … we have more than 7 cars in my home and it is difficult to have space in the garage, If you are with me you are also VIP” … . and in the end it was really true… it was funny to see that playboys assholes exist anywhere in the world. People think that because they have money, dont need not comply with any rules, like the guy thinks he is above the law and what impressed me was the way he treated the other Indian (waiter, driver …) in a very arrogant way, as if they were his servants. Ridiculous.


I think that’s it for today, already tired of writing.

If there is something Indians like to do is to dance. They are very excited for dance and not let anyone be stopped. And the coolest is that they do not need a drop of alcohol for this. There are some men who drank up yes but is very rare you see an Indian woman drinking. Glad I’m not Indian! Hahaha … I only know it was a very nice evening and funny … I started to learn bollywood dance, in which women raise the shoulders up very quickly and are moving their hands from one side to another. Indeed it is difficult to explain how they dance but it is super cute.  When I have time I will prepare an exclusive video for you guys….

Acho que por hoje é só, já cansei de escrever.

07/01/09 – E a temporada de trabalho na EVS Índia está começando – The working season in EVS Índia is about to start

(versão em português)

Estava comentando com a Helen, a inglesa que veio comigo do Chile para trabalhar no mesmo projeto, que a gente realmente estava vivendo trully global. Começa pelo fato de eu ser brasileira e ser funcionária no Chile, até ai tudo bem. Agora fui transferida por um tempo para o escritório da Índia para fazer um projeto sobre Oriente Médio. E não acaba por aí, não vai pensando que todos os membros da equipe aqui da Índia são indianos..nana nanica não. Tem uma brasileira, uma inglesa, um chileno, alguns indianos, um cara da Jordânia, um Francês e por aí vai… Quem me conhece sabe que eu sempre gostei de conviver com estrangeiros, ser buddy de alunos estrangeiros na GV, fazer intercâmbio, sair por aí e viajar e conhecer pessoas de tudo o quanto é parte do mundo. E parece que agora cheguei no ápice dessa coisa internacional….é gente do meu lado falando árabe, hindu, inglês, espanhol e português também é claro. Já conheci um portuga aqui na empresa muito gente fina e dá pra matar as saudades de falar aquele português gostoso, pra desabafar e ser 100% Mariana sabe? Por que por mais que você seja fluente em outro idioma nunca é a mesma coisa.

É impressionante perceber o sistema de segurança do prédio onde trabalho. Eles te revistam dos pés a cabeça pra ver se você não é uma mulher bomba ou coisa parecida, checam os carros e ficam te olhando estranho falando umas coisas incompreensíveis em hindu. E essa questão de segurança cada fvez fica mais rígido a cada ataque terrorista que acontece na Índia. E quando você chega no escritório no primeiro andar também é a mesma coisa, uma puta nóia, você não pode levar máquina fotográfica, ipod, cd, pen drive então nem se fala. E no primeiro dia eu deixei umas coisas em cima da mesa tipo post it, caneta e eles confiscaram tudooo. Não pode deixar um NADA em cima da mesa porque é confiscado por causa daquele lance de Segurança da informação ou sei lá o que. Só sei que sinto falta do esquema tranquilo da EVS no Chile…era um carnaval minha mesa de tranalho, tinha monte de Xerox, canetas, pastas, bandeira do Brasil na parede com fotos no mural, presentinhos de viagem e por aí vai.

Outra coisa impressionante é a burocracia que rola por aqui. Como a estrutura aqui é muito maior que a do Chile, qualquer coisa que você precisa mandar instalar no computador, ou configurar o telefone, você tem que preencher um formulário online, pedir para o fulano aprovar que pede pra não sei quem aprovar, e isso leva horas ou dias e foi basicamente o que eu fiz nesses três dias de trabalho por aqui. Mas felizmente agora as coisas estão começando a entrar nos eixos.

O meu time daqui parece ser legal, mas aqui o clima de trabalho é bem mais sério…não tem aquele clima latino de trabalhar de sair pra tomar um cafezinho pra fazer  fofoca ou reclamar de algo ou alguém, bater um papo na mesa de outra pessoa e por aí vai. Nossa e eu que to tendo uma super dificuldade de lembrar os nomes da galera do trabalho…Eu to naquele esquema: “Oh, você ai, avisa que eu não vou almoçar agora!”ou eu acaba falando o nome da pessoa bem rapidinho “Swaroop, temos reunião em meia hora!”. Genteeee, tem cada nome que vocês não tem idéia, e eu sou péssima pra lembrar nomes, aqui então não sei como vai ser.

Outra coisa, fiquei impressionada com a comemoração xexelenta de aniversário que eles fazem aqui no escritório. Não tem todo aquele esquema do escritório no Chile com 2 bolos, cartão de aniversário, discurso do aniversariante, feliz aniversário cantado em inglês, espanhol e português é lógico, com direito ao clássico: “E pra Mariana nada, tudo! Então como é que é, é! É pique é pique é pique é pique é pique, é hora é hora é hora rá TIM bum!! Mariana Mariana Mariana!!! E a gente não canta isso só pros brasileiros não…o coro brasileiro no Chile faz tanto sucesso que existe uma enorme demanda pro canto a “la brasileira”, cantamos pra quase todo o pessoal da empresa, chega a ser engraçada a situação! Agora vou falar pra vocês como que é o aniversário daqui. Alguém coloca um bolo em cima da mesa da lanchonete e todo mundo sai correndo em direção a mesa já numa posição de ataque ao bolo, não dá nem tempo de cortar o bolo porque todo mundo corta os pedaços com a mão mesmo, acho que nem o aniversariante acabou chegando a tempo de experimentar o bolo do seu próprio aniversário. Vou estar aqui no meu aniversário e espero que até lá eu consiga mudar essa cultura de aniversário viu!

Por hoje é só… Namaste

(English version – google translator)It starts with the fact I am Brazilian but an employee in Chile, up there all right. Now for a time was transferred to the office in India to work on a project about the market in the Middle East. And it is not just that. Dont think that all the members of the team here in India are Indians .. no no and no. There is a Brazilian, an English, a Chilean, some Indians, a guy from in Jordan, from France and so on … Anyone who knows me also knows that I always liked to live with foreigners, be buddy of students in GV, make exchanges, and travel out there and meet people from all over the world. And it seems now I am on the topnof this international experience…. on my side in the office there are people speaking Arabic, Hindi, English, Spanish and Portuguese, of course. I already met a guy from Portugal who works in the company company here so I have the chance to speak portuguese once in a while.

I was saying to Helen, the English that came with me from EVS Chile to work on the same project, that we were really living trully global.

It is impressive to notice the security system of the building where I work. They check you from feet to head to see if you are not a woman bomb or something, check the cars and keep saying weird stuff in Hindi. And the question of security is more rigid due to the terrorist attack that happens in India once in a while. And when you arrive at the office on the first floor is the same thing, you can not have a camera, ipod, cd, pen drive and so on. And on the first day I left some things on the table, and they confiscated everything. You can not leave anything on the table because of inforamtion security issues. I only know that I miss my working station in EVSChile … my desk was a real carnival , I had lots of Xerox, pens, folders, the Brazilian flag, pictures on the wall, and so on.

Another impressive thing is the bureaucracy that goes on here. And the structure here is much greater than that of Chile, anything you need to have installed on your computer, or set your phone, you must fill out a form online, ask for the guy who asked you that the request needs approval from several people, and that takes hours or days and was basically what I did in those three days of work here. But fortunately now things are starting to settle.

The team here seems to be cool, but here the working environment is much more serious … it is not that Latin american style, where you go out of you take a cup of coffee to gossip or complain about something or someone, to chat at someone’s desk on and so on.

I am having a hard time to remember the names of the guys I work with … so i just say: “Hey, you there, tell Helen I am not gonna have lunch now!” Or I just speak the name of the person very quickly “Swaroop, we have a meeting in half an hour.” I’m terrible to remember names, here I do not know how it will be.

I was surpriesed with the simple birthday celebration they do here in the office. In EVS Chile we have 2 cakes, birthday card, the embarassing birthday speech , happy birthday song in English, Spanish and Portuguese. Now I will tell you how they celebrate. Someone put a cake on the table of the cafeteria and everyone comes out running toward the table in order to attack the cake, there’s no time to cut the cake because everyone cut the pieces with the hands. I think that not even the birthday guy had the chance to get a slice of his own birthday cake. Well, I will be here for my birthday and I hope that until then I can change this birthday culture!

Enough for today … Namaste

 

05/01/09 – Impressões do primeiro dia na Índia – Impressions of the first day in India

Depois de mais de 22 horas de vôo, aqui estou eu. Saí de São Paulo no dia 2 à noite, fiz uma conexão em Frankfurt chegando em Nova Delhi às 2horas da manhã sem nenhuma mala perdida no caminho, thanks god! O Prabaldeep Paul, meu chefe indiano que já trabalhava comigo no Chile foi me buscar no aeroporto.

Saímos do aeroporto e fomos a caminho de Gurgaon. Como era de madrugada não tinha nada de trânsito, então chegamos em menos de 40 minutos, tranquilo. Tava muito escuro na estrada então não consegui ver nada da cidade. Ok. Fui dormir as 4 e só acordei às 2horas da tarde no outro dia. Me senti meio estranha, acho que deve ser esse tal de jetlag que todo mundo comenta tanto…afinal o fuso horário é de 7 horas e 30min.

Quando acordei  abri a varanda do meu quarto e dei de cara com três porcos no terreno baldio ao lado e diversas mulheres passando todas cobertas de panos coloridos, achei aquele cenário bem pitoresco, algo que eu já estava esperando encontrar. Mas uma coisa que me impressionei é a quantidade de pó no ar. Sério, meus olhos começaram a arder com a quantidade de pó em todo lugar, você percebe o céu meio marrom acinzentado por tudo quanto é parte. Isso é porque estamos bem perto do deserto e acho que logo você se acostuma com isso….só que adeus sapatos e roupas xodó…nem quero imaginar como vai estar quando sair da Índia….no worries…roupas são só roupas anyway.

Por enquanto estou morando num ape de 3 andares, bem legal até. Tenho um quarto com banheiro só pra mim, o que é essencial se levar em conta que estou morando com dois caras, o Paul, meu chefe indiano e um cara da Lituania que ainda não conheci …

A Helen, minha amiga inglesa que também trabalha comigo chegou hoje também e o Paul nos levou pra almoçar no Shopping. Aliás, Shopping é o que não falta aqui…sao mais de 7 Shoppings gigantes um do lado do outro…ainda não entendi a necessidade disso tudo mas beleza, li no wikipedia que Gurgaon é a cidade dos Shoppings na Índia…acho que eles tão tentando quebrar algum Record ou coisa assim. Fomos num rickshaw, que basicamente funciona da seguinte maneira: um cara vai pedalando e leva as pessoas atrás num esquema que me lembrou muito o carrinho dos flinstones. Achamos que íamos morrer durante o camnho inteiro atropelada por outros rickshaws, carros, ônibus e por aí vai. Já tinha lido que na índia não existem regras de transito, ninguém dá sinal, e as pessoas tem um prazer macabro de dirigir na contra-mao, tirando uma fina de outros carros…impressionanante…e de alguma maneira existe regra nesta falta de regra, existe alguma harmonia que faz com que os indianos se entendam em toda esta loucura porque aparentemente batidas não são tão freqüentes. Enquanto a gente morria de medo e ao mesmo tempo ria da situação, o Paul chorava de tanto  rir da gente no rickshaw atrás do nosso.

Comemos umas coisas indianas que eu nao lembro o nome agora mas que estavam interessantes e nem eram tão apimentadas assim…poso dizer que a primeira experiência não foi nada traumática e não tive nenhuma dor de barriga depois…que continue assim!

Well, tenho que dormir agora porque apesar de ter chegado hoje de madrugada, amanhã já vou ter que trabalhar, não tem moleza não. Acompanhar o ritmo dos indianos frenéticos, competitivos e workaholics não vai ser fácil, já to imaginando o que me espera nesses próximos meses. Mas tem uma coisa que aprendi na AIESEC…work hard, play hard!

(english version – google translator)

Impressions of the first day in India

 After more than 22 hours of flight, here I am. I left Sao Paulo on the Jan 2 at night, I made a connection in Frankfurt arriving in New Delhi on the morning at 2am.No bags were lost on the way, thanks god! Prabaldeep Paul, my Indian chief who already worked with me in Chile was the one who pickedme up at the airport.
We left the airport and we went straight to Gurgaon. Since everything was late night, there was no traffic jam, soarrive it took us less than 40 minutes to get there, ease. The road was very dark so i couldnt take a look in the city. Ok I went to sleep and only woke up at 2pm. I felt a bit strange when i got up, I think that this has to do with the  jetlag that everybody says so … after all, the time difference is 7 hours and 30 minutes.
When I woke up I opened the balcony of my room and saw three pigs in a vacant lot and several women covered with colorful fabrics. But one thing that impressed me a lot was the amount of dust in the air. Seriously, my eyes began to burn with the amount of dust everywhere, you always see the sky gray . This is because we are very close to the desert and I think with time  you get used to it ….

For now I’m living in a flat with 3 rooms, it is quite cool actually. I have a room with a bathroom just for me, which is essential if you take into account that I live with two guys, Paul, my indian boss and a guy from that Lithuania that i havent met yet.

Helen, my English friend who also works with me came today and Paul took us for lunch at the Mall. There are over 7 Malls in this city very close to each other … I still do not understand the need for so many malls but I read in wikipedia that Gurgaon is the city of Malls in India .. . so I think they are trying to break a record or something. Puls took us in a rickshaw, which is basically like that: a guy goes cycling and the people sit behind him on some kind of chair, It reminded me a lot the flinstones car. We thought that we would die during the entire way because the t. I had already read that in India there are no traffic rules, no one follows any dricing rules, and people seems to have a weird pleasure of driving in the opposite side of the road, as if it was somthing normal… … and somehow , there is some kind of harmony  in this whole crazy traffic because apparently car accidents are not that frequent. While we were scared to death and laughing at the same time of the situation, Paul couldnt stop laughing at us.

Well, I have to sleep now because despite having arrived today, I’m going to have to work tomorrowI Life is not easy….To keel the same pace of the competitive and workaholics  indian will not be easy.  I can imagine what is to come in the next months. But one thing I have learned during my experience in AIESEC … work hard, play hard!

 

Vista da minha varanda - View from my balcony

Vista da minha varanda - View from my balcony

Um porco do lado da casa - A pig on the side of the house

Um porco do lado da casa - A pig on the side of the house

 

Uma mulher indiana na rua - An indian woman on the street

Uma mulher indiana na rua - An indian woman on the street

01/01/09 -Um dia antes de partir pra Índia – One day before leaving for India

(versão em português)

Na verdade nunca me imaginei escrevendo um blog. Sempre achei que podia ser uma coisa interessante mas nunca achei que iria ter saco pra escrever. Nem na minha infância aderia muito a idéia do diário porque começava super empolgada na primeira semana, escrevendo sobre como achava lindo o cantor da banda New Kids on the block, ou como estava brava com a minha mãe porque não tinha deixado ir ao cinema com as minhas amigas, coisas neste naipe que depois de uns dois anos achava ridículo e tinha vergonha de que algum dia tinha tido a capacidade de escrever aquelas asneiras.

Enfim, acontece que ultimamente comecei a sentir a necessidade de escrever as experiências que tenho vivido fora do Brasil. Na verdade, depois que me formei na faculdade de adm, consegui o meu primeiro trampo sério no Chile em uma empresa chamada Evalueserve. Consegui a vaga através da AIESEC…não vou explicar o que é AIESEC agora porque ninguém entende direito assim de primeira.

Depois de um ano morando no Chile, surgiu a oportunidade de fazer um projeto na Matriz da minha empresa na Índia e é lógico que topei. Existe algo que sempre me atraiu quando pensava na Índia, ainda não sei bem o que é, nao sei se é a cultura milenar, as paisagens exóticas, o povo que sempre me pareceu simpático, a comida apimentada, as roupas coloridas, a música, a arquitetura, a religão, o esoterismo…enfim ainda nao sei o que é mais o fato é que sempre quis conhecer a Índia. E melhor agora que não só vou conhecer de um ponto de vista turístico, mas também vou viver lá, vou trabalhar e conviver com cerca de dois mil indianos que trabalham na minha empresa…soa interessante ne?

En 2008 tive tantas experiências legais no Chile, tantas estórias pra contar ou fatos que marcaram a maneira como percebia o país e os chilenos que agora vejo que teria sido muito legal se tivesse escrito um blog pra relembrar e compartilhar com os amigos e família….

É por isso que fiquei com vontade de escrever este blog sobre minha experiência na Índia. Realmente espero que tenha muitas estórias e aventuras boas pra contar. Confesso que estou com aquele friozinho na barriga gostoso sabe? Aquele friozinho que dá quando você não sabe o que está por vir mas a única coisa que sente é que o que está por vir é exatamente o que você precisa pra 2009. Não podia pedir um começo de ano melhor.

Amanhã a viagem começa! India is calling me and I’ve got to pick up this call.

(English version = google translator)

Actually I’ve never imagined myself writing a blog. I always thought it could be an interesting thing but never thought I would have pacience enough to write it. Not even in my childhood. I was only excited to write the diary in the first week, writing about how beautiful  the singer of the band New Kids on the block was, or how mad I was with my my mother because she didn’t allow me to go to the movies with my friends. One or two years after writing these things I would feel so ridiculous and embarassed that Iever had the ability to write those silly stuff.

Finally, it happens that lately I started to feel the need to write the experiences of my life outside of Brazil. Actually, after I graduated from college in business administration, I got my first serious job in Chile in a company called Evalueserve. I got the job through AIESEC … I will not explain what AIESEC is now because nobody gets it right anyway.

After a year living in Chile, I had the opportunity to do a project in the Headquarter of my company in India and it is obvious that I accepted. There is something that always attracted me when I thought in India, I don’t know exactly what it is, I do not know if it is the ancient culture, the exotic landscapes, the people who always seem to be nice, the spicy food , the colors, the music, the architecture, the religion, the mystic side … I do not even know what it is but the fact is that India always attracted me somehow. And even better now that I will get to know the country not only from a touristic point of view, but also I live there, I will work with some two thousand Indians in my company … sounds interesting right?

In 2008 I had so many cool experiences  in Chile, so many stories to tell or facts that were important for me to understand the country and the Chilean people. It would have been really cool if I had written a blog for my memories and also to share with friends and family .. ..

That is why I was willing to write this blog about my experience in India. I really hope I will have many good stories  and adventures to write. I confess that I have butterflies in my stomachs right now. These butterflies happens when you do not know what’s to come but the only thing you feel is that what’s to come is exactly what you need for 2009. I could not ask for a better start of the year.

Tomorrow the journey begins! India is calling me and I’ve got to pick up this call.

Depois do ano sabático…

Saravá!

(Quem é vivo sempre aparece….
Antes tarde do que nunca…
E o período de hibernação chega ao fim…
Fenix – ressurgindo das cinzas)

Esses devaneios sao parte de uma viagem introspectiva de como eu começaria o post de hoje.

Já faz uns bons meses desde a ultima vez que postei algo aqui. Blog é o tipo da coisa que se você pára fica dificil voltar, eu sempre me via dando umas desculpinhas…ai to sem tempo, ai to sem nenhuma idéia muito legal e por ai vai…nessa brincadeira acabei ficando tipo um ano sem escrever…pra soar mais bonito vou escrever aqui que tirei um ano sabático pra repensar a vida, reciclar mimhas idéias e pensar qual é de fato o objetivo desse blog.

Na real, só comecei a escrever um blog porque quando fui morar na India tive vontade de compartilhar minhas experiências por lá até porque sabia que a realidade era tão diferente, tão impactante que merecia ser retratada. Fora que eu tambem economizava nos emails customizados pra familia e amigos…só mandava o link do meu blog o que já matava a curiosidade daqueles que queriam saber um pouco mais sobre as minhas impressões a respeito subcontinente indiano…

Depois quando fui morar no Chile, escrevi alguns posts meio aleatórios…não estava muito empolgada para escrever até porque já nao tinha mais vontade de morar no Chile depois de tudo que tinha vivido na Índia. Naquela época o Chile me parecia aquela pessoa sem graca, sem personalidade e sem aquele algo mais que a “pessoa” Índia tinha de sobra, às vezes até em excesso. A Índia é o tipo a pessoa que quando entra numa sala, todo mundo pára pra ver porque chama a atenção. É excêntrica, tem dupla (ou tripla) personalidade, e provoca sensacoes…ninguém fica indiferente…enfim…

Já faz um pouco mais de um ano que voltei pro Brasil e sinto que fui picada pela nostalgia…

O que eu queria dizer é que eu sentia que não tinha mais sentido ficar escrevendo no blog porque eu já não morava mais em outro país e como a idéia inicial do meu blog era de fato contar as minhas experiências morando fora, senti que o blog inevitavelmente não tinha mais sentido, estava fadado a uma morte lenta e dolorosa (se liga no tom dramático da frase!).

Daí outro dia uma amiga das antigas que acompanhava meu blog me disse: “Pô Mari, eu dava umas boas risadas quando lia o seu blog e outro dia passei lá pra dar uma olhadinha e você ainda não postou nada desde a estória do papel feito com cocô de elefante, que absurdo!”

Daí fiquei com aquilo na cabeca sabe? E pensei que na verdade eu gosto de escrever, me faz bem, viajo nas palavras, vejo as coisas de uma maneira mais ampla, cura algumas feridas, recicla ideias e o mais importante me ajuda a olhar mais pra dentro de mim. O teatro faz isso também comigo mas de uma forma um pouco diferente e complementar.

Chegando ao ponto (juro que to tentando não ser tão prolixa!) queria dizer que nao quero deixar esse blog morrer…sou apegada a esse tipo de coisa e não quero me desfazer dele NÃO (isso é comportamento de filha caçula mimada e teimosa). Mas isso claramente é um apego meu e vocês não tem nada a ver com isso.

Entao decidi continuar o blog agora com um objetivo de escrever sobre viagens (aquelas que ja fiz ou que quero fazer), sobre estorias bizarras que parecem me seguir constantemente (ou que eu persigo?), e quero escrever sobre fatos curiosos ( que normalmente tem a ver com questões mais relacionadas a diferenças e contrastes entre culturas) e também qualquer outro tema sem noção que me vier a cabeca!

Então é isso, para os leitores imaginarios deste blog desejo um ano novo sensacional (detalhe ja estamos quase em marco). Um 20111 cheio de viagens, aventuras, recomeços, amigos novos e antigos, amores, Risadas (muitas!!!!), e muita energia positiva. Vamo que vamo!

virada do ano 2010-2011
Fui.