No meio do caminho tinha um elefante. Tinha um elefante no meio do caminho….

E o elefante caminha tranquilamente pelas ruas de Delhi

E o elefante caminha tranquilamente pelas ruas de Delhi

Outro dia alguém me perguntou se eu estava gostando de morar na Índia. Eu disse que estava amando, que era uma experiência que precisava vivenciar. Então a pessoa me perguntou qual era a coisa que mais gostava daqui. Não precisei de muito pra responder. O que mais gosto da minha vida na Índia é o efeito surpresa diário. Não existe um dia do meu cotidiano na Índia que não aconteça algo incrível, algo surpreendente, algo chocante, algo que nunca imaginei que poderia acontecer. São fatos que mexem muito com minhas emoções, às vezes de uma maneira positiva, às vezes de uma maneira negativa. Não importa como, a Índia tem a capacidade de mudar a maneira que você enxerga as coisas.  

Hoje por exemplo aconteceu algo curioso. Depois de uma viagem de trem de 15 horas de Varanasi, chegamos em Delhi e tomamos um taxi para nos levar a Gurgaon.  O calor de 42 graus em um taxi sem ar condicionado me obrigou a deixar as janelas totalmente abertas.  Assim como no Brasil, vem muita gente pedir esmola, principalmente crianças. Aqui normalmente elas não tentam vender balas ou fazer malabarismos. Aqui a esmola é praticada na sua forma mais tradicional, todos os pedintes fazem um movimento repetitivo com a palma das mãos e depois levam a boca, indicando que querem dinheiro para comer. Quem assistiu ao filme “Quem quer ser milionário”, filme vencedor do Oscar deste ano, sabe bem do que estou falando. Mais do que pedir esmola, esta prática já virou um negócio que destrói a vida de milhares de crianças na Índia.

Abordei este assunto da esmola pra dar um pouco de pano de fundo ao que aconteceu logo depois de aquelas crianças terem pedido esmola no nosso táxi. Estava distraída quando olhei pra minha esquerda e vi nada mais nada menos que um elefante esperando o semáforo abrir. Olhei de novo pra ver se eu estava tendo visões ou se realmente tinha um elefante em plena segunda-feira, ao meio dia, no trânsito caótico de Delhi. Eu, super viciada em fotografias, já tirei minha câmera da bolsa para registrar aquele momento inacreditável. O homem que “dirigia” o elefante disse algo em híndi que eu obviamente não entendi. Ah, e se você acha que a estória acaba por aí meus queridos leitores imaginários, vocês estão bem enganados. O bendito elefante decidiu enfiar a tromba dentro do nosso táxi, na verdade bem na minha janela. Dei aquele grito exagerado de quem não está assim tão acostumada a ver uma tromba de elefante entrando na minha janela. O taxista foi logo dizendo pra eu não me preocupar: “tih hai, tik hain”, ele dizia está tudo bem, o elefante é inofensivo.

Na hora tive um insight de que na verdade o elefante talvez estivesse pedindo esmola pra mim. Será? Não, não pode ser…Resolvi fazer um teste. Peguei uma nota de 10 rupias (40 centavos de real) e estendi a minha mão para fora do carro. Em menos de 5 segundos o elefante captou a mensagem e foi direto pegando a nota com a sua tromba. O elefante pegou a nota e levou para o seu chefe, o cara que estava sentado em cima dele. Fiquei pasma ao perceber que o cara usava o elefante como um meio de pedir esmola. Fiquei com pena daquele elefante, nem ele conseguiu escapar das mazelas do capitalismo, da pobreza sem fim que existe não só nesse país, mas em outros também. Ainda não posso acreditar que tinha me deparado com um elefante pedindo esmola em plena cidade de Delhi.

 

 

E elefante também pede esmola...

E elefante também pede esmola...

 

 

O sinal abriu e o trânsito começou a se movimentar novamente. Olhei para trás e vi o elefante andando calmamente no meio da rua, parecia não se dar conta dos carros, motos, rickshaws, bicicletas e pessoas ao seu redor. Simplesmente caminhava a passos de elefante em um dia qualquer em uma rua qualquer na capital de um país que consegue me surpreender diariamente.

 

 

Só na Índia mesmo...

Só na Índia mesmo...

 

 

 

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