Simplesmente Pablo Neruda…

Sempre tive curiosidade em saber porque durante toda a história, grandes poetas e músicos adotaram pseudônimos? Será que eles realmente não gostavam ou não de identificavam com seu nome civil ou porque são tão criativos que acreditam que até o próprio nome precisam recriar?  Não sei. Se algum dos meus leitores imaginários tiverem alguma idéia, por favor deixem um comentário.

Estou pensando aqui se valeria a pena criar um pseudônimo pra mim. Mas não confundam isso com nome de guerra (de dia eu sou Mariana e de noite Perigosa….haha). Estou falando muito sério aqui, como sempre. Mas vamos deixar isso pra lá porque esse curto post de hoje não tem nada a ver comigo e sim com uma das personalidades chilenas mais conhecidas no Chile e no Mundo. Estou falando de nada mais nada menos que Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto. Inspirado no escritor checo Jan Neruda, ele ainda adolescente, decidiu adotar o seu nome para Pablo Neruda, e que acabou legalizando anos depois.

Estudou pedagogia em frances na Universidade do Chile mas percebeu que o seu negócio mesmo era escrever poemas, foi aí que a sua trajetória no mundo da poesia teve início. Assim como Vinícius de Moraes, Neruda também resolveu seguir carreira diplomática e viajou o mundo até ser destituído do cargo consular quando eclode a Guerra Civil Espanhola.

Além de poeta, foi senador e marxista ferrenho. Grande amigo de Salvador Allende, Neruda acreditava que o socialismo era a chave para uma América Latina mais justa. Acabou morrendo de câncer na próstata em 1973 (aos 69 anos) mas segundo Isabel Allende, em seu livro Paula, Neruda morreu mesmo foi de de “tristeza” ao ver o governo de Allende ser dissolvido após golpe militar liderado por Pinochet.

Sem dúvida teve uma vida extremamente interessante e curiosa. Buscou uma vida intensa, polêmica, eclética e idealista. Os seus poemas são fortes e ao mesmo tempo simples, alguns extremamente politizados e revolucionários, outros sensualmente e quase que desesperadamente românticos como é o caso do Vinte poemas de amor e uma canção desesperada (video abaixo). Neruda escreve de uma maneira acessível, não necessariamente necessita de palavras muito rebuscadas para tratar de temas profundos e difíceis. É uma leitura leve e de fácil digestão. Essa é apenas a mera opinião de alguém que não frequenta sarau, não lê frequentemente sobre o assunto mas que gosta de ler alguns poemas de vez em quando, ou de vez em nunca?

Um filme interessante inspirado no poeta chileno é O Carteiro e o Poeta que conta sobre a amizade entre o Neruda e um humilde carteiro que deseja aprender a fazer poesia a fim de conquistar o amor de sua vida. Enfim, achei o filme lindo e com uma trilha sonora perfeita.

Fecho esse post com meu poema predileto dele, é o Poema 20 parte do Veinte poemas de amor y una canción desesperada, a voz que lê o poema é do próprio Pablo Neruda. A voz dele é tão densa que sem perceber você acaba  mergulhando naquelas palavras…chega a arrepiar (sem exageros).

PUEDO escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: ” La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

4 comentários sobre “Simplesmente Pablo Neruda…

  1. Mari, adorei este post. Eu sou fa de poemas, e um dos meus preferidos eh o numero 17, A Danca, dos Cem Sonetos de Amor, que ele escreveu para o grande amor da sua vida. Vou deixa-lo registrado:

    “Nao te amo como se fosses rosa de sal, topázio
    Ou flecha de cravos que propagam o fogo
    Te amo como se amam certas coisas obscuras,
    Secretamente, entre a sombra e a alma.
    Te amo como a planta que não floresce e leva
    Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
    E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
    O apertado aroma que ascendeu da terra.Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
    Te amo diretamente sem problemas nem orgulho
    Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
    Senão assim deste modo em que não sou nem és,
    Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
    Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
    Antes de amar-te, amor, nada era meu
    Vacilei pelas ruas e as coisas
    Nada contava nem tinha nome
    O mundo era do ar que esperava.
    E conheci salões cinzentos,
    Túneis habitados pela lua,
    Hangares cruéis que se dependiam,
    Perguntas que insistiam na areia.Tudo estava vazio, morto e mudo,
    Caído, abandonado e decaído,
    Tudo era inalienavelmente alheio,
    Tudo era dos outros e de ninguém,
    Até que tua beleza e tua pobreza
    De dádivas encheram o outono.”

    Nao eh lindo?

    Beijos, Manu

    • Nossa Manu, que fantástica a sua contribuição! Não conhecia esse poema dele e agora estou aqui lendo e relendo esse poema dele que é lindo, mas nao de uma beleza romantica obvia ne? É mais sutil e mais verdadeiro.
      Beijocas!!!

  2. Ei Mari adoro poesias!!!
    Leio livros de poesia todas as noites antes de dormir…
    Qdo estive na Casa do Neruda com meu pai ele me apelidou de La Chascona…por causa da minha cabeleira desgrenhada; ou seja já ganhei meu pseudonimo…hahaha..
    Continue a escrever Mari mesmo morando no Brasil…suas descobertas e inquietações fazem tão bem pra nosotros…

    • Querida La Chascona, adorei o apelido que seu pai deu…já pegou! Vou continuar a escrever sim, principalmente quando fico sabendo que amigos como vc gostam de ler essas coisas🙂 Logo mais estarei de volta! beijinhos

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